Um juiz de Los Angeles estabeleceu uma fiança de 90 milhões de dólares (cerca de 75 milhões de euros) para que o líder da Igreja La Luz del Mundo (“A Luz do Mundo”) possa ser libertado, segundo a agência Efe. Naasón Joaquín García, 51 anos, soma 36 acusações de abuso sexual, atos obscenos contra um menor e extorsão.

A decisão surge após três dias de audições do caso que coloca no banco dos réus Joaquín García e duas alegadas cúmplices — Alondra Ocampo e Susana Medina Oaxaca. O processo tinha sido indeferido por um tribunal da Califórnia devido a uma falha técnica, em abril, pelo que os advogados de defesa esperavam a libertação dos arguidos.

Desde terça-feira que foram ouvidos pelo juiz George Lomelí, do Tribunal Superior de Los Angeles, vários envolvidos no caso, como um agente especial, Troy Holmes. Foram ainda ouvidas testemunhas que defenderam García, alegando que não tinha dinheiro para pagar uma fiança de 50 milhões de dólares — o valor inicialmente definido. O juiz decidiu, no entanto, aumentar o valor para 90 milhões.

Joaquín García foi detido a 3 de junho de 2019, quando estava no Aeroporto Internacional de Los Angeles. É acusado por cinco pessoas de abusos sexuais. Uma das alegadas colaboradoras de García era Alondra Ocampo, que, segundo a acusação, terá pedido a menores para que se despissem e tirassem fotografias dos genitais, que seriam depois enviadas para o líder d’A Luz do Mundo. Numa outra ocasião, terá dito a um grupo de raparigas que, se não obedecessem, estariam a comportar-se contra a vontade de Deus.

A Ocampo, de 37 anos, foi estabelecida uma fiança de 10 milhões de dólares (mais de oito milhões de euros). Outra “colaboradora”, Medina Oaxaca, de 25 anos, permanece em liberdade condicional.

A igreja La Luz Del Mundo está sediada em Guadalajara, no México. Foi fundada em 1926, está presente em 60 países e garante ter cerca de 5 milhões de seguidores.