Pelo menos 14 pessoas foram detidas esta sexta-feira na Bulgária no despejo de acampamentos e levantamento de barreiras que bloqueiam há semanas avenidas em várias cidades do país para pedir a demissão do primeiro-ministro, Boiko Borissov.

A emissora privada búlgara bTV indicou que a polícia desmantelou os acampamentos com dezenas de tendas numa operação simultânea em várias cidades, como Sófia e Varna, sem que se registassem confrontos, mas que foram detidos contestatários.

Segundo fontes policiais, em Sofia foram detidas 12 pessoas, por não cumprirem ordens de abandonar a rua e não terem documentos de identidade. Após identificação foram libertadas.

Em Varna, a segunda cidade do país, a polícia deteve duas pessoas e multou 60 outras, segundo a bTV.

Há um mês que milhares de pessoas se mobilizam todas as noites para exigir a demissão do governo conservador e nacionalista de Borissov, acusado de corrupção, após quase 10 anos no poder.

Desde 29 de julho, os contestatários bloquearam várias avenidas importantes do centro da capital, reforçando a maior onda de protestos desde 2013 no país mais pobre da União Europeia.

O Ministério do Interior divulgou esta sexta-feira uma breve declaração, indicando que “o tráfego foi retomado em todos os cruzamentos que tinham sido bloqueados” e que não seriam toleradas novas obstruções ao trânsito.

“A polícia não está a restaurar a ordem pública, mas a ordem corrupta”, declarou aos jornalistas Nikolai Hadjigenov, um dos organizadores dos protestos nas redes sociais.

Hadjigenov prometeu “restabelecer as barreiras, mas desta vez em todo o país” e novas concentrações estão marcadas para hoje à noite.

Na quarta-feira, o chefe do governo de coligação entre conservadores e nacionalistas admitiu a possibilidade de se demitir se isso permitisse que o seu executivo continuasse até às próximas legislativas, em março de 2021, mas a sua maioria renovou-lhe o apoio no dia seguinte.