As autoridades de Macau corrigiram esta quarta-feira o valor da queda do Produto Interno Bruto (PIB) registado no primeiro semestre para 58,2%, em comparação o período homologo de 2019.

O chefe do Governo, Ho Iat Seng, afirmara esta quarta-feira, em conferência de imprensa, que a diminuição era de 67,8% no primeiro semestre.

Esse valor corresponde sim à quebra registada no segundo trimestre, também em relação ao período homólogo do ano anterior, esclareceu à Lusa fonte do Gabinete de Comunicação Social do território.

“Com esta situação não podemos estar otimistas para o segundo semestre”, afirmou, em conferência de imprensa, Ho Iat Seng à saída de Macau para Pequim, recusando-se por isso a fazer qualquer previsão económica para o final do ano.

A economia de Macau, altamente dependente do turismo chinês e dos resultados dos casinos, sofreu com a quebra do número de visitantes, num território que recebeu quase 40 milhões em 2019. Só em maio de 2020, o número de visitantes provenientes do interior da China, o maior mercado turístico do território, chegou a cair em maio 99,4%, em termos anuais, e nos primeiros sete meses do ano as receitas do jogo caíram 94,5%.

A emissão de vistos turísticos individuais e de grupo pode ser autorizada a partir desta quarta-feira a residentes de Zhuhai e deverá ser alargada a toda a província de Guangdong em 26 de agosto se a situação pandémica em ambos territórios se mantiver estável. Uma situação que, segundo Ho Iat Seng, poderá criar um efeito positivo na economia do território e reduzir o impacto do desemprego no setor turístico.

A abertura do esquema de vistos individuais e a visita dos turistas da china continental terão um certo efeito de apoio para nós”, afirmou o chefe do Executivo.

Ainda na mesma ocasião, Ho Iat Seng indicou que Macau só vai permitir a entrada de estrangeiros quando estes vierem de territórios sem casos de Covid-19 há mais de 130 dias consecutivos.

O governo “ainda não tem planos para abrir para os estrangeiros porque (…) não se pode dizer que são zonas de risco baixo”, afirmou numa conferência de imprensa antes de partir para uma visita oficial a Pequim que se prolonga até segunda-feira e durante a qual estão agendadas reuniões para discutir a cooperação com a vizinha província de Guangdong e os trabalhos de prevenção e combate à pandemia.

“Se ficarem na mesma situação que nós, há mais de 130 dias sem infetados [domésticos], podemos considerar claramente”, explicou o governante. “Agora, nenhum país pode atingir isso, por isso, ainda não planeamos a abrir”, concluiu.

Macau, que nunca registou qualquer caso de transmissão comunitária com o novo coronavírus, começou a levantar algumas restrições fronteiriças com a China continental, mantendo a política de Pequim de proibir para já a entrada de visitantes estrangeiros, algo que tem sido seguido também por Hong Kong, salientou o chefe do governo.