Centenas de pessoas voltaram esta quinta-feira às ruas na Bielorrússia pelo quinto dia consecutivo para protestar contra as eleições de domingo, que alegam ter sido fraudulentas, enquanto o governo anunciou ter detido mais 700 pessoas na quarta-feira. Em várias localidades de Minsk, grandes grupos de pessoas formaram longas “linhas de solidariedade”.

Mais de 100 mulheres a carregar flores e retratos dos seus familiares, detidos durante protestos, reuniram-se na parte sudoeste da cidade, onde a polícia respondeu com balas de borracha às pessoas que cantavam e batiam palmas nas varandas na noite de quarta-feira.

O Ministério do Interior da Bielorrússia anunciou esta quinta-feira que deteve outras 700 pessoas na quarta-feira, elevando o total para pelo menos 6.700 pessoas detidas pelas autoridades. O Ministério referiu ainda que 103 polícias ficaram feridos desde domingo, 28 dos quais estão hospitalizados.

Entretanto, as autoridades bielorrussas não deram informações sobre os feridos entre os manifestantes, contra os quais foram disparadas balas de borracha, granadas atordoantes e foram usados cassetetes sem restrições.

“Os bielorrussos viram a cara vil deste Governo. Discuti com o meu marido e votei em Lukashenko. E foi isto que consegui no final, não consigo encontrar os meus familiares nas prisões”, disse Valentina Chailytko, de 49 anos, cujo marido e filho foram detidos durante protestos no domingo.

Milhares de pessoas manifestam-se em toda a Bielorrússia desde domingo, exigindo uma recontagem dos votos que deu no domingo ao Presidente Alexander Lukashenko uma vitória esmagadora com 80% dos votos. A principal candidata da oposição, Sviatlana Tsikhanouskaya, cujas ações de campanha atraíram multidões de eleitores frustrados com o governo autoritário de 26 anos de Lukashenko, terá obtido apenas 10% dos votos.

A polícia reprimiu os protestos com cassetetes, gás lacrimogéneo e balas de borracha, granadas atordoantes e outros meios. Um manifestante morreu na segunda-feira em Minsk e muitos ficaram feridos. A Rádio Liberdade informou que mais um homem morreu num hospital na cidade de Gomel, sudeste do país, após ser detido pela polícia.

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A repressão aos manifestantes gerou duras críticas no Ocidente.

O chefe da política externa da União Europeia, Josep Borrell, anunciou que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 irão reunir-se na sexta-feira para discutir as suas relações com a Bielorrússia e considerar “medidas contra os responsáveis pela violência observada, prisões injustificadas e falsificação de resultados eleitorais”. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, disse que a eleição na Bielorrússia não foi “livre e justa” e pediu ao governo que se abstenha de violência contra manifestantes pacíficos.

Lukashenko referiu-se à oposição política do país como “ovelhas” manipuladas por mestres estrangeiros e prometeu continuar a assumir uma posição dura em relação aos protestos. Os manifestantes disseram esta quinta-feira que não se intimidam com a repressão.

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