Os ex-trabalhadores da fábrica da Cofaco, na ilha do Pico, enviaram um abaixo-assinado ao Governo da República para “exigir o cumprimento urgente” do apoio social previsto no Orçamento do Estado, alertando para as dificuldades que têm enfrentado.

Em comunicado de imprensa enviado pela estrutura sindical que representa os trabalhadores, lê-se que estes “decidiram enviar um abaixo-assinado ao Governo da Republica para exigir o cumprimento urgente do artigo 55.º do Orçamento do Estado para 2020”, que “facilita o acesso, a majoração de valor e o prolongamento da duração de apoios sociais aos trabalhadores da fábrica” que se encontram no desemprego.

Os ex-trabalhadores da conserveira Cofaco, especializada em conservas de atum, relembram que estas medidas foram aprovadas devido à “preocupação suscitada” pelo encerramento “da empresa conserveira detentora da marca Bom Petisco”.

O comunicado afirma que as medidas “devem ser aplicadas até ao final do mês” e com a “atribuição dos respetivos retroativos ao mês” em que os trabalhadores deixaram de receber o subsídio de desemprego.

“Os ex-trabalhadores da Cofaco do Pico e as suas famílias estão a passar por momentos difíceis, porque para além de estarem desempregados, uma parte significativa já perdeu ou vai perder o subsídio de desemprego nos próximos meses”, assinala o comunicado.

Os ex-trabalhadores dizem ser “essencial” a “majoração dos apoios sociais” em causa, para evitar que “não haja uma perda muito significativa do poder de compra” na ilha.

Em julho de 2018, dois meses depois de a fábrica encerrar, o PCP apresentou um projeto de resolução, aprovado por unanimidade na Assembleia da República, que recomendava ao Governo a criação de um “regime especial e transitório de facilitação de acesso, majoração de valor e prolongamento de duração de apoios sociais aos trabalhadores em situação de desemprego” na ilha do Pico.

A proposta, entretanto integrada no Orçamento do Estado para 2020, também por iniciativa dos comunistas, ainda não foi, no entanto, regulamentada e alguns trabalhadores já terão deixado de receber o subsídio de desemprego.

Em julho, o parlamento açoriano deu parecer favorável a um projeto de lei do PSD que prevê a criação de um programa especial de apoio social aos ex-trabalhadores da Cofaco.

“Os trabalhadores que foram alvo deste despedimento vivem presentemente numa situação financeira bastante difícil. Não basta dizer que se está solidário com estas pessoas. É preciso agir e tomar medidas concretas. E é isso que o PSD se propõe fazer ao apresentar este projeto de lei”, avançou o deputado do PSD à Assembleia da República eleito pelos Açores Paulo Moniz, citado num comunicado de imprensa.