Um avião da Airbus A320 da companhia aérea EasyJet esteve a 1,3 segundos de viver um desastre no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, revela um relatório publicado este mês pela Agência de Investigação de Acidentes Aéreos do Reino Unido.

O caso remonta a setembro do ano passado. O voo da EasyJet com 167 passageiros a bordo preparava-se para levantar voo do aeroporto lisboeta em direção a Manchester quando os pilotos repararam em algo estranho: as luzes brancas e vermelhas dos últimos 900 metros da pista. 

O relatório britânico explica agora o que aconteceu: ao calcularem o espaço que tinham para executar a descolagem, os pilotos tinham utilizado o comprimento total da pista (1.495 metros) quando, na verdade, tinham apenas 110 metros para essa manobra por causa das interseções que existiam na via.

Se os pilotos não tivessem parado a descolagem ao observarem as luzes vermelhas e brancas, e tendo em conta a velocidade a que o avião se movia, dali a 1,3 segundos teriam percorrido os cerca de 10 metros que faltavam até ao fim da pista e colidido com o arame farpado.

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O resultado do acidente seria “danos significativos para a aeronave e para os seus ocupantes”, revela o relatório publicado a 6 de agosto e noticiado esta sexta-feira pela Sky News. Como tudo correu pelo melhor no final de contas, o voo acabou por seguir para Manchester sem mais incidentes.

O erro já havia sido cometido por outros pilotos no passado no Aeroporto de Lisboa. Em abril e em maio de 2019, outros dois voos estiveram perto do desastre precisamente pela mesma razão. Por isso, tanto a companhia aérea como o próprio aeroporto “trabalharam com o fornecedor de dados para alterar o menu de seleções de interseções para o Aeroporto de Lisboa, para eliminar qualquer confusão sobre qual posição se refere ao comprimento total da pista”, pode ler-se no relatório.