A superfície é fina e poeirenta. Posso chutá-la facilmente com a ponta do pé. Adere em camadas finas, como carvão em pó, à sola e às laterais das minhas botas. Só vou numa pequena fração de uma polegada, talvez um oitavo de uma polegada, mas posso ver as pegadas das minhas botas e os passos nas partículas finas, arenosas”.

Foi esta a primeira descrição que Neil Armstrong, o primeiro astronauta a pisar a Lua, usou para descrever a “superfície muito macia” de um “material muito coeso” e com “uma beleza austera própria, como grande parte do alto deserto dos Estados Unidos” que cobre o nosso vizinho celeste.

“É diferente, mas isto é muito bonito”, garantiu o astronauta, para mais tarde também Buzz Aldrin ter resumido toda aquele panorama em apenas três palavras: “Uma desolação magnífica”.

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É, aliás, uma desolação que, passadas cinco décadas, a agência espacial norte-americana quer voltar a explorar com o programa Artemis. Mas há um problema que nem o tempo soube resolver: precisamente o pó lunar, que invade os fatos espaciais e que exige rituais de limpeza extremamente difíceis e até prejudiciais para a saúde.

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Em busca por soluções, a NASA lançou o desafio aos estudantes norte-americanos no “BIG Idea Challenge” — uma competição anual da agência espacial que premeia com até 180 mil dólares (mais de 150 mil euros) os alunos de projetos aeroespaciais que resolvam problemas que os especialistas ainda não conseguiram deslindar.

Este ano, o assunto é sério e precisa de ser resolvido o mais depressa possível, a tempo da missão agendada para 2024. “A poeira lunar é difícil de ser afastada e removida, pois é extremamente abrasiva, altamente coesa, de tamanho pequeno e pode ter carga eletrostática”, explica a NASA. O resultado? Problemas de saúde, materiais danificados e leituras erradas dos dados.

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Por isso, os estudantes são convidados a arranjar mecanismos que impeçam o pó lunar de danificar as máquinas, limitem a aderência dos grãos aos fatos espaciais, evitem o pó de entrar no módulo lunar e facilitem a limpeza de todos esses materiais. Os participantes têm até 25 de setembro para submeterem o projeto para avaliação pela NASA, mas só no próximo ano ficarão a ser conhecidas as equipas vencedoras.

De acordo com as regras da competição, as equipas que participem do “BIG Idea Challenge” devem ter um máximo de 25 membros. Não pode haver mais do que cinco estudantes sem a cidadania norte-americana e todos devem frequentar universidades daquele país. Mas atenção: “É importante observar que o financiamento do BIG Idea Challenge não pode ser usado para apoiar diretamente qualquer cidadão não-americano”, sublinha o regulamento.