Os graves incêndios que fustigam o Pantanal brasileiro, considerada a maior zona húmida do planeta e um santuário de biodiversidade, destruíram pelo menos 70% do maior refúgio mundial de araras-azuis, espécie de aves ameaçada de extinção.

Em causa está a fazenda São Francisco do Perigara, santuário que concentra 15% da população livre da espécie, localizada no estado brasileiro de Mato Grosso, que, segundo o jornal Folha de S.Paulo, já perdeu cerca de 70% dos cerca de 25 mil hectares, compostos na quase totalidade por vegetação nativa.

O Instituto Arara Azul estima que existam 6.500 araras-azuis na natureza, das quais 700 estão na fazenda São Francisco, agora atingida pelo fogo descontrolado que devasta a fauna e flora da região. Fustigado por um dos piores incêndios da sua história, o Pantanal, que abrange quase 2% do território brasileiro, já perdeu 10,3% da cobertura vegetal devido ao fogo, que deve continuar a lavrar até ao final de outubro, ocasião em que termina a estação seca na região.

“No período das chuvas, no início do ano, a fazenda não teve a inundação normal, o Pantanal estava seco. Esse cenário de seca descomunal, ventos e calor gerou um desastre sem precedentes”, explicou ao jornal uma das donas da propriedade rural destruída, Ana Maria Barretto.

Considerada a maior zona húmida do planeta, o Pantanal é uma planície que tem 80% de sua área inundada na estação chuvosa e é considerado um santuário onde ainda se encontra preservada uma fauna extremamente rica. A maior área do Pantanal (62%) está no território brasileiro. Cerca de 20% do bioma (conjunto de ecossistemas) situa-se na região norte do Paraguai e 18% na Bolívia.

Os incêndios registados no Pantanal brasileiro quase triplicaram entre 1 de janeiro e 22 de julho face ao mesmo período de 2019. A informação foi divulgada no final de julho pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), organismo que faz a monitorização por satélite dos biomas brasileiros.

Segundo o INPE, neste período foram detetados 3.415 focos de incêndio no Pantanal, o que representa um recorde desde que, em 1998, começaram a ser compiladas as estatísticas dos incêndios. No mesmo período do ano passado, os dados do INPE indicaram 1.180 focos de incêndio na mesma região.

No ano passado, os incêndios florestais no Pantanal consumiram também parte da fazenda Caiman, no estado do Mato Grosso do Sul, outro local importante para as araras, que são vítimas do tráfico e da destruição do habitat natural.