O compromisso já tinha sido relembrado pelos profissionais de saúde e foi anunciado esta quinta-feira por Marta Temido. O Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças aprovaram o investimento de 26 milhões de euros para reforçar as estruturas de cuidados intensivos em 16 hospitais do país até ao final deste ano. A medida integra o plano dedicado ao reforço e renovação das infraestruturas do setor de Medicina Intensiva, criado para responder ao aumento da pressão criada nos sistemas de saúde pela pandemia de Covid-19.

“Vamos completar o programa de financiamento vertical de aquisição de ventiladores, de 60 milhões de euros, com um programa de 26 milhões de euros para a reinfraestruturação (sic) dos nossos hospitais, para a efetiva rentabilização destes equipamentos, garantindo que tiramos deles todo o proveito“, referiu Marta Temido, que esta quinta-feira acompanhou o primeiro-ministro António Costa na inauguração do novo serviço de internamento do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

Esta verba integra o que ficou estabelecido no Programa de Estabilização Económica e Social (PEES), aprovado em junho, que prevê mais investimento na Saúde, incluindo nas unidades de cuidados intensivos. O programa será cumprido “até ao final de 2020”, mas a ministra da Saúde avança que “depois terá um complemento em 2021”.

Se há uma lição que hoje queria também levar aqui, além desta partilha, é que a possibilidade é mesmo boa quando se traduz na capacidade de fazermos, para os portugueses, prestação de cuidados de saúde de elevadíssima qualidade, dignidade e responsabilidade”, sublinhou Marta Temido.

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Segundo o despacho conjunto do Ministério das Finanças e do Ministério da Saúde, “a pandemia por COVID -19, declarada pela Organização Mundial de Saúde a 11 de março de 2020, colocou os sistemas de saúde sob grande pressão e as formas mais graves de doença determinaram uma procura exponencial de cuidados de medicina intensiva”. Para responder a este aumento da pressão, o reforço da resposta vai assentar na “ampliação de 16 serviços de medicina intensiva do SNS [Serviço Nacional de Saúde], para que Portugal convirja com a média europeia em termos de camas de cuidados intensivos por 100 000 habitantes”.

Hospital de Gaia abre nova unidade de cuidados intensivos em novembro. “Senhor engenheiro, isto fica feito a tempo e horas?”

A visita ao Centro Hospitalar de Gaia/Espinho serviu para António Costa inaugurar, juntamente com Marta Temido e o presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, o novo serviço de internamento, uma obra que integra o Plano de Reabilitação Integrado, no valor de cerca de 86 milhões de euros divididos em três fases de intervenção. Mas, juntamente com essa inauguração, houve também uma promessa: a nova unidade de cuidados intensivos vai abrir em novembro.

Rui Guimarães, presidente do conselho de administração deste hospital, reconhece que este é um “projeto em tempo recorde”, impulsionado pelo “receio relativamente a uma segunda vaga” da pandemia de Covid-19. “Abraçamos a difícil missão de, em 90 dias, ter isto aberto. Em novembro temos de ter isto pronto e abrimos a urgência em data muito próxima”, referiu durante a visita ao hospital. O primeiro-ministro, de ouvido atento, lançou depois a pergunta ao engenheiro responsável pela obra: “Senhor engenheiro, isto fica tudo feito a tempo e horas?”. “Fica, sim senhor”, assegurou.

Rui Guimarães destaca que o hospital “soube reinventar-se”, naquilo que foi “um estica e encolhe constante” das condições, devido à pressão provocada pela pandemia de Covid-19. Houve 70.000 teleconsultas realizadas, a hospitalização domiciliária aumentou e o hospital passou a entregar medicação em casa dos utentes.

Registamos uma baixíssima taxa de infeção entre profissionais. Ironicamente, a Covid-19 aproximou-nos: s profissionais de saúde estão muito gratos a todos quantos, empresas e particulares, quiseram ajudá-los e mimá-los neste momento. Em julho e agosto tivemos uma atividade clínica superior à de igual período no ano passado. Não estamos a recuperar, estamos a superar. O hospital merece uma classificação coincidente com a sua qualidade. Contamos com o Governo”, sublinhou Rui Guimarães.

A inauguração do serviço de internamento define a conclusão da fase B do Plano de Reabilitação Integrado deste hospital, uma fase que inclui também a ampliação da urgência — que está a ser concluída e deverá abrir em outubro — e que contou com um investimento de 13 milhões de euros em infraestruturas e dois milhões em equipamentos. A nova unidade de cuidados intensivos que vai abrir em novembro reflete um investimento de 3,3 milhões de euros.