Marcelo Rebelo de Sousa confessou que “cumprimentaria aqueles britânicos que ousaram vir até ao Algarve através de outros países” – para contornar as restrições impostas pelo Reino Unido — ou correndo o risco da quarentena. “Tiveram o mérito de esperar, de apostar e de ver os seus esforços, de alguma maneira, recompensados”.

O Presidente da República reagia à notícia de que, pelo menos por enquanto, o Reino Unido vai deixar de exigir a[a partir de sábado] o cumprimento de quarentena obrigatória aos viajantes que se desloquem ao Reino Unido vindos de Portugal. “O Reino Unido é tão importante, faz tanta diferença que nem imaginam”, prosseguiu: “Aqui, como na Madeira, no Porto, como noutros pontos do país. Mas aqui no Algarve faz uma diferença brutal”. Portugal recebe todos os anos cerca de 2 milhões de turistas britânicos.

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Marcelo insistiu que, tendo em conta a decisão britânica, “está o caminho aberto para marcar férias e para que a hotelaria, restauração do Algarve acelere o caminho fundamental – já iniciado – de recuperação”: “No final de agosto e nos meses importantes de setembro e outubro vão poder ver muitos britânicos virem aqui passar a suas férias”, antecipou.

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O Presidente – que falava num evento em Portimão, no Algarve – notou que a luz verde britânica é “uma grande notícia para os presidentes da Câmara daqui do Algarve e para muitos outros [autarcas] de outros pontos do país”. Mas sobretudo, disso, para “os 300 mil portugueses que vivem e trabalham no Reino Unido”, para ” os quase 50 mil britânicos que vivem e gostam de viver em Portugal” e para “todos os que, pelo estudo, pelo trabalho, pelo turismo, há muito desejariam deslocar-se de um país para o outro”.

Sobre os números do desemprego divulgados esta quinta-feira pelo IEFP, Marcelo recusou entrar em grandes comentários: “Limito-me a olhar para os números oficiais, a interpretação os especialistas farão”, disse ele aos jornalistas, acrescentando: “Esperemos que toda a atividade económica, em particular o turismo, possa contribuir para diminuir um risco que me preocupa, que é o de que a taxa de desemprego seja maior”.

Ainda assim, Marcelo notou que o grande aumento do desemprego – neste momento existem pelo menos 407 mil desempregados inscritos em Portugal – se verificou nos meses anteriores a julho. E isso é um sinal de melhoria, disse.