“Honeyland- A Terra do Mel”

Ao longo de três anos, os macedónios Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, filmaram o dia a dia de Hatidze Muratova, uma das últimas apicultoras artesanais da Europa, que vivia à altura, com a mãe octogenária e paralítica, num casebre sem água nem eletricidade de uma aldeia abandonada, situada a algumas dezenas de quilómetros da capital, Skopje. O sossego da mulher é perturbado com a chegada de novos vizinhos, uma família nómada turca com uma caterva de filhos e uma manada de vacas, e cujo pai, Hussein, começa também a dedicar-se à apicultura para conseguir ter dinheiro para alimentar tantas bocas. E acaba por entrar em choque com a vizinha quando as suas abelhas começam a matar as dela e a ameaçar o equilíbrio estabelecido.

Parecendo por vezes possuído pelo espírito dos filmes de Emir Kusturica, “Honeyland-A Terra do Mel” tem na lhana e estóica Hatidze Muratova uma heroína completamente improvável e revela-nos modos de vida precários e de subsistência básica que julgávamos já extintos na Europa do século XXI. Ganhou vários prémios em Sundance e esteve candidato aos Óscares de Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional.

“O Rei de Staten Island”

Judd Apatow, realizador, produtor e argumentista de comédias tendencialmente alarves sobre adolescentes aluados, homens emocional e sexualmente imaturos, mulheres desnorteadas e casais desavindos, parece querer ser levado mais a sério com este “O Rei de Staten Island”. Pete Davidson, que também colaborou no argumento, no qual introduziu muitos elementos autobiográficos, interpreta Scott Carlin, um matulão de 24 anos forrado a tatuagens, que ainda vive com a mãe (uma envelhecida Marisa Tomei), enfermeira e viúva, em Staten Island. Tolhido pela morte do pai, um truculento bombeiro que pereceu num incêndio, Scott passa o dia a fumar erva, a preguiçar com os amigos white trash e a sonhar em ser tatuador.

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Embora a história carregue nos botões dramáticos mais do que é habitual num filme de Apatow, não há aqui nada de verdadeiramente novo, a começar pela figura do calão, pueril e irresponsável Scott, uma personagem pela qual é muito difícil sentir simpatia, até porque Davidson não tem pinga de graça. Uma fita convencionalíssima e verbosa, longa demais e cheia de palha de lugares-comuns sobre disfuncionalidade familiar e iniciação à maturidade.

“Adam”

A primeira longa-metragem da antiga jornalista, e agora atriz, argumentista e realizadora marroquina Maryam Touzani, vem na linha direta dos seus trabalhos anteriores, documentais e de curta duração, todos dedicados à condição da mulher no seu país. Passado em Casablanca, “Adam” conta a história do encontro entre duas mulheres. A jovem Samia, que engravidou na sua aldeia e veio para Casablanca para fugir à desonra, e vagueia pela cidade sem eira nem beira, esperando ter o bebé, dá-lo para adoção e depois voltar a casa; e Abla, a viúva que a acolhe e que trabalha todo o dia na sua pequena padaria com balcão para a medina e vive envolvida no seu desgosto, dedicada apenas à filha pequena, a espevitada Warda.

Apesar de, a início, pôr reservas à presença de Samia em sua casa, Abla acaba por a aceitar, e à oferta de trabalho da rapariga para compensar a estadia, dizendo às clientes que ela é uma prima da província que veio ter o filho a Casablanca. E o ambiente muda, para muito melhor. “Adam” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

“Adam”: era uma vez duas mulheres e uma criança em Casablanca