Brian Kolfage, um veterano da Força Aérea norte-americana, foi detido juntamente com Steve Bannon e outros dois associados por fraude na angariação de fundos para a construção do muro na fronteira com o México. Kolfage é acusado de ter desviado 350 mil dólares (cerca de 296 mil euros) dos donativos numa vida de luxo, noticia o Business Insider. Steve Bannon terá recebido um milhão de dólares para despesas pessoais, acrescenta a Forbes. Agora enfrentam uma condenação por fraude e conspiração para lavagem de dinheiro que pode ir até 20 anos.

Este caso deve servir de aviso para outras fraudes que ninguém está acima da lei, nem mesmo um veterano de guerra incapacitado ou ou estratega político milionário”, disse Philip R. Bartlett, inspetor-chefe no USPIS, citado pela Fortune.

O serviço de inspeção dos correios norte-americanos (USPIS), que realiza investigações na área dos serviços de correio, banca e fraude financeira, teve um papel no desenlace da investigação, eventualmente por detetar transferências bancárias fradulentas, e acabou por receber um agradecimento do procurador.

Em dezembro de 2018, o veterano da Força Aérea lançou a campanha “We Build the Wall” (“Nós Construímos o Muro”) na plataforma GoFundMe para angariar mil milhões de dólares. Donald Trump sempre rejeitou donativos privados para a construção do muro, refere o Business Insider. Mas o filho do Presidente, Donald Trump Jr., foi filmado num evento em que promovia a campanha, refere a Forbes com base numa publicação do Twitter.

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Na acusação lê-se que Kolfage sempre disse que “não ficaria com um tostão e salários ou compensações” por estar a promover a campanha e que a totalidade dos fundos angariados seria usada na execução da missão — a construção do muro. Steve Bannon também afirmou que eram “uma organização voluntária”.

A verdade é que o veterano, que perdeu as pernas e o braço direito num ataque no Iraque, em 2004, acabou por gastar uma parte dos fundos doados em bens de luxo: uma cirurgia plástica, um barco, um SUV de luxo, um carro de golfe, obras de remodelação em casa e joalharia. O dinheiro foi usado ainda para pagar outras despesas: dívidas do cartão de crédito e impostos.

Mas as ações de Kolfage foram mais longe: usou a lista de doadores da campanha para apelar a que comprassem café do negócio que geria porque, alegadamente, era a única fonte de rendimento que tinha para alimentar a família, reporta a Fortune.

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A plataforma GoFundMe chegou a interromper a angariação de fundos porque Brian Kolfage dizia que ia doar 20 milhões de dólares ao governo norte-americano. O fundador do projeto deveria arranjar uma organização não lucrativa que recebesse o dinheiro. Foi assim que surgiu o contacto com Steve Bannon e o esquema de lavagem de dinheiro, explica a Fortune.