Por muito que para alguns a romaria ao Algarve seja hábito de vários anos e implique ir sempre comer aos sítios do costume, a verdade é que o sul do país tem tido uma revigorante onda de novos espaços que valem a pena descobrir. Na lista que se segue vai encontrar restaurantes 100% novos, alguns relativamente recentes e outros que por algum motivo se mantiveram quase “escondidos” do grande público. Siga a lista, reserve com antecedência e divirta-se à mesa.

Loki Restaurante

Rua Vasco Pires, 6, Portimão. Das 19h às 23h (fecha domingo e segunda-feira). 962 109 656. Menu fixo de 11 pratos,  57€ por pessoa (bebidas não incluídas)

Nascido e criado na zona de Monchique, o chef João Marreiros é filho de uma pasteleira profissional, sempre conviveu com o universo da restauração e com a paisagem serrana. É precisamente desta região tão rica do Algarve que retira não só as suas inspirações mas também muitos ingredientes que utiliza no seu espaço exclusivo. O Loki serve em média, por noite, entre quatro a seis clientes e todos eles têm direito ao mesmo menu de onze momentos que ninguém sabe o que tem — pelo menos até João lhe por os pratos à frente já que é só ele sozinho que trabalha no restaurante. Com um passado ligado a vários restaurantes nacionais e internacionais de fine dining, a sua cozinha é refinada e com extrema atenção ao detalhe . Na carta de vinhos só brilham referências algarvias, sendo dada preferência a néctares biológicos e/ou “naturais”.

O Loki funciona à porta fechada e por marcação, é uma pérola escondida em Portimão. D.R.

Pic~nic Restaurante & Beach~bar

Rua da Torre Velha, 2, Albufeira. Das 11h às 22h, nunca fecha. 289 502 803. 25€, preço médio (por pessoa)

É uma história de reinvenção familiar, aquela que envolve o jovem cozinheiro André Filipe Santos e o renovado restaurante Pic Nic da Praia do Castelo, em Albufeira. Depois de vários anos nas mãos dos pais e avós, este espaço foi assumido por este cozinheiro que conta no seu currículo passagens por espaços como o Belcanto de José Avillez e outros grandes restaurantes no Algarve. A paragem de inverno e o encerramento forçado pelo Estado de Emergência serviram para fazer remodelações e atualizar a carta que agora mantém a  homenagem ao receituário dos avós, por exemplo, mas com uma roupagem mais moderna ao estilo da bistronomie francesa. Sugestões clássicas como as cataplanas, o peixe grelhado e saladas de polvo e semelhantes coexistem com outras criações como Bolas de Berlim de sapateira, camarão de espinho e spirulina ou o a salada de bacalhau com ovo a baixa temperatura — tudo com o areal e o mar como pano de fundo.

Um dos pratos deste Pic Nic é a combinaão de ribeye, cogumelos e molho béarnaise. D.R.

The Elska Kitchen

Urbanização Vale da Telha, 41, Sector B, Aljezur. Das 18h às 22h, domingo serve-se brunch às 14h30 (fecha segunda e terça-feira). 968 516 557. 20€ por pessoa (preço médio)

Kerensa e Steppe têm em comum o facto de ambos terem duas nacionalidades: ele é metade irlandês, metade islandês, ela é metade inglesa e metade sueca. Este casal apaixonou-se pela zona de Aljezur e em 2018 e apostou  na restauração num ponto de vista mais natural e sustentável, com uma forte componente vegetariana (mas sem radicalismos) e ligação à terra. O chef Francisco Barbosa, que tinha trabalhado seis anos com Jamie Oliver e outras temporadas com Nuno Mendes e Leandro Carreira, sempre em Londres, foi a escolha do casal para liderar este Elska Kitchen (“Elska” quer significa “amor” tanto em sueco como em islandês). A aposta foi vencedora e desde então este cantinho do Algarve ganhou uma refrescante oferta de comida que respeita o ambiente e o ciclo natural da natureza sem nunca esquecer a criatividade: isso vê-se em pratos como salada de tomate com morangos, tapenade, anchovas e estragão; o frango frito à americana com molho de queijo roquefort; ou até a beterraba com couve crespa, molho de sésamo e curcuma com sementes e queijo de caju.

A zona exterior do Elska Kitchen é muito concorrida. D.R.

Cafézique

Rua das Bicas Velhas, Loulé. Das 19h às 24h (fecha domingo). 289 043 931. 25€ por pessoa (preço médio)

O Cafézique do chef Leandro Araújo, ex-São Gabriel, tinha inaugurado há pouco mais de três meses quando o estado de emergência encerrou quase tudo de norte a sul do país. Foi como se lhe tivessem tirado o tapete debaixo dos pés mas rapidamente decidiu lançar-se na luta: começou a vender vouchers de refeição, iniciou um serviço de take-away, outro de venda e entrega de vinho ao domicílio e não baixou os braços. Hoje, já totalmente a funcionar, mantém a oferta gastronómica contemporânea que apresentava antes: uma mistura de comida criativa, com um vincado traço de autor mas sem por isso ser pretensiosa. A vasta carta de vinhos que dispõe acompanha um menu completo ou à la carte que tem sugestões ora vincadamente portuguesa, ora com laivos internacionais: mousse de ras el hanout com pêra rocha e brownie de alfarroba; kohlrabi acompanhado de sementes de mostarda e alho negro; ou presa de bísaro a baixa temperatura com puré de cenoura e pickles de mostarda são alguns exemplos do que aqui pode encontrar.

A cozinha aberta do Cafézique, em Loulé. ©Raul Lufinha/Mesa do Chef

Check-In Faro by Leonel Pereira

Avenida da Republica, 40, Faro. Das 19h às 23h (fecha domingo). 968 070 776. 35€ por pessoa (preço médio)

Leonel Pereira é para muita gente que acompanha de perto o trabalho de antigo responsável máximo do estrelado São Gabriel, em Almancil, um dos cozinheiros mais criativos do país, daí não ser de estranhar a facilidade com que se conseguiu adaptar ao novo projeto que ainda nem um ano de vida tem e já goza de boa fama, o Check-In Faro by Leonel pereira. O chef, que entretanto abandonou o projeto do São Gabriel, escolheu e desenhou todos os pormenores desta sua nova casa que pretende ser menos formal que o seu poiso Michelin anterior, que tem nos petiscos a palavra de ordem e mantém toda a criatividade e rigor a que já habituou os seus clientes. Na carta vai então encontrar sugestões como o poke de robalo e quinoa; a salada de aipo e maçã granny smith; ou um bacalhau de meia cura com xerém de microalgas.

No novo projeto deste chef algarvio servem-se petiscos para partilhar. D.R.

Naperon Restaurante

Rua 25 de Abril, 115, Odeceixe. Das 19h às 22h (fecha segunda-feira). 916 177 333. 40€ (preço médio)

Mudar de vida pode ser mais fácil de imaginar do que concretizar mas o exemplo do chef Hugo Nascimento é a prova de que há mesmo quem consiga virar a sua realidade do avesso e continuar a seguir as suas paixões. Depois de vários anos como braço direito do chef Vítor Sobral, em Lisboa, Hugo decidiu pegar na família e rumar a sul, à parte algarvia da Costa Vicentina, para começar um projeto a título próprio, o Naperon. Inserido num complexo de turismo rural em Odeceixe chamado Casas do Moinho, esta nova casa do chef pretende ser um espelho da região onde mora e do melhor que por lá se produz — tanto na horta do restaurante como na dos vizinhos agricultores –, bem como um mostruário das memórias gastronómicas deste cozinheiro de raízes Ribatejanas. Só estão disponíveis dois menus fixos: um com entrada, prato e sobremesa; outro com entrada, prato de carne, prato de peixe e sobremesa. A carta muda com muita frequência mas encontrará sugestões como o tártaro de cavala com alperce e pipocas; fruta fresca com chantilly e azeite de alecrim ou a vitela no forno com puré de aipo e cenouras caramelizadas.

Esta combinação de sarrajão com escabeche de maracujá, corn flakes e coentros são um exemplo daquilo que aqui vai poder encontrar. D.R.

Alameda

Rua da Policia de Segurança Publica, 10, Faro. Das 18h às 23h (fecha terça-feira).  289 824 831.  30€ por pessoa (preço médio)

Foi já praticamente em 2019 que Rui Sequeira realizou o sonho de abrir um espaço próprio onde pudesse expressar a sua identidade gastronómica. Este ainda jovem cozinheiro que passou vários anos como sub-chef prestigiado (e estrelado) do Ocean, em Porches, encontrou perto do Jardim da Alameda João de Deus, em Faro, essa oportunidade —  e rapidamente transformou-a no Alameda Restaurante & Rootftop. Com uma cozinha despretensiosa e criativa, assente no melhor dos produtos nacionais mas ocasionalmente tratada com técnicas internacionais, este Alameda já é um poiso incontornável de qualquer adepto da gastronomia de qualidade que queira uma oferta diferente, mais contemporânea e refrescante. Há menu de degustação, claro, mas também opções à carta que podem passar por pratos como a ostra da Ria Formosa com ponzu de eucalipto, as bolas crocantes de cataplana algarvia e maionese de limão ou o bacalhau com migas de abóbora, ovo escalfado e molho de chouriço de Monchique.

O Alameda, do chef Rui Sequeira, tem uma zona de esplanada exterior. ©Raul Lufinha/Mesa do Chef

Kubidoce

Estrada Nacional 125, Urbanização Vila Formosa, Loja 114, Olhão. Das 7h às 19h (sábado fecha às 14h; fecha domingo). 10€ por pessoa (preço médio).

A pastelaria e panificação de qualidade tem vindo, aos poucos, a ganhar destaque e atenção entre os apaixonados pela gastronomia (e não só) e é por isso mesmo que é importante também destacar o trabalho do chef pasteleiro Filipe Martins. Algarvio de corpo e alma, é em Olhão que Filipe montou esta sua pastelaria/padaria/bombonaria que faz tudo bem: dos clássicos Dom Rodrigo ao pão de fermentação lenta e natural. Um dos ex-libris da casa é o típico folar de Olhão que é absolutamente irresistível — e deve ser comido à mão, assim manda a tradição. A Kubidoce também serve refeições leves e tudo o que aqui é feito (e atenção que aqui é só fabrico próprio) leva ingredientes de primeira qualidade e é pensado para ser o mais saudável possível, daí poder comer um pastel de nata ou amêndoa, uns mini-palmiers ou um croissant recheado de ganache de pistácio sem nenhuma sensação de culpa.

A Kubidoce já é paragem obrigatória para quem passe por Olhão. ©Raul Lufinha/Mesa do Chef