Depois de ter apostado na sobrealimentação para diminuir os consumos e emissões de dióxido de carbono (CO2) dos seus motores a gasolina, a Porsche parece agora fazer marcha-atrás. Perseguindo a mesma finalidade, que consiste em tornar os motores mais amigos do ambiente, os técnicos alemães prometem trocar a sobrealimentação pela electrificação, em que um pequeno motor eléctrico, aliado a uma igualmente pequena bateria, ajuda o motor de combustão nas fases em que ele se revela mais poluente e menos eficiente.

A obrigatoriedade de cumprir as normas impostas por Bruxelas, no que respeita à redução de emissões de CO2, levou a esmagadora maioria dos fabricantes de automóveis a aderir à tecnologia dos turbocompressores, o que lhes permitiu adoptar motores mais pequenos e, em alguns casos, com um menor número de cilindros. E mesmo a maioria dos desportivos não escapou a esta moda.

Se compararmos o Porsche 911 de 2012 com a versão de 2016, a última a adoptar o seis cilindros opostos atmosférico e a primeira a montar um turbo na versão de entrada na gama, é fácil perceber que o motor boxer viu a cilindrada diminuir de 3,4 para 3,0 litros, mas a sua potência aumentou de 350 para 370 cv. E, mais do que isso, o torque foi incrementado de forma ainda mais evidente, sendo o valor máximo de 450 Nm alcançado logo às 1700 rpm, em vez de 390 Nm às 5600 rpm da unidade atmosférica. Com o incremento de potência, o consumo desceu, de 9,0 para 8,3 l/100 km, com as emissões de CO2 a caírem igualmente, de 212 para 190 g de CO2 por km. Também o 718 Cayman recorreu ao mesmo tipo de estratégia seguida pelo 911, só que ainda mais extrema, pois nas versões mais acessíveis trocou os antigos motores boxer atmosféricos com seis cilindros pelos turbo com somente quatro.

Mas estes valores ainda se apoiavam na norma NEDC, menos rigorosa do que a actual WLTP e a prova é que o novo 911, com o mesmo motor turbo, já anuncia 10,3 l/100 km e 233 g de CO2. E não é evidente que estes valores, bem como os dos seus concorrentes, não sejam revistos em alta a partir de 2021, quando tiverem de ser confirmados em condições reais de utilização. Este pode ser o motivo que levou o responsável pelos desportivos da Porsche, Frank-Steffan Walliser, a avançar à Autocar que a marca alemã está muito motivada para manter os motores atmosféricos vivos, recorrendo à electrificação. Segundo Walliser, trata-se de combinar a potência elevada a alta rotação dos motores atmosféricos com a força a baixa rotação das unidades eléctricas.

As mecânicas defendidas por Walliser vão permitir o regresso de motores com uma sonoridade mais agradável – sem o turbocompressor a sufocar o sistema de escape -, garantindo ainda mais força, menos emissões e, muito provavelmente, a possibilidade de percorrer alguns quilómetros em modo eléctrico caso a electrificação se estenda aos PHEV.