O deputado único da Iniciativa Liberal (IL) considerou “inadmissível” que o primeiro-ministro “atire as culpas” da situação no lar de Reguengos de Monsaraz para os médicos e afirmou estar do lado desta classe nesta “polémica”.

“Acho que a manifestação de desagrado por parte da classe [médica] tem toda a razão de ser porque, ao longo destes meses, tem sido dito que a classe médica, de enfermagem e de auxiliares de saúde têm sido autênticos heróis no combate à pandemia e, assim que há um problema, no caso em concreto no lar de Reguengos, as culpas são atiradas para a classe médica e para a falta de profissionalismo e, até, de coragem que teriam tido, para ajudar a resolver o caso. É inadmissível”, disse João Cotrim Figueiredo.

À margem de uma tertúlia de celebração dos 200 anos da Revolução Liberal, no Porto, o parlamentar declarou que a IL está do lado da classe médica “nesta polémica” com o primeiro-ministro, António Costa.

O parlamentar salientou ser preocupante o chefe do Governo dizer que as ordens profissionais não têm competências para fiscalizar as entidades oficiais, sublinhando que todos têm possibilidade de fiscalizar atos, uns com mais competências técnicas, outros com mais eco na comunicação social.

“Todos temos competência e obrigação de fiscalizar atos da função pública, da administração pública e do Governo, e, se o primeiro-ministro não gosta de ser fiscalizado, não gosta de escrutínio, como aparentemente não gosta porque ficou muito satisfeito com a redução dos debates quinzenais no parlamento, é um problema do primeiro-ministro”, afirmou.

Segundo João Cotrim Figueiredo, Portugal vive atualmente uma situação de “hegemonia” que não é saudável do ponto de vista democrático, acrescentando que a IL repudia todas as tentativas de calar as críticas a atos de governação, por entender que todos têm a obrigação de “construtivamente” criticar o que está a ser menos bem feito.

A propósito de um surto de covid-19 em Reguengos de Monsaraz, que provocou 162 casos de infeção, a maior parte no lar, e a morte de 18 pessoas, 16 delas do lar, o primeiro-ministro assumiu numa entrevista ao Expresso que houve falhas na situação que envolveu a instituição, mas reforçou que esta “é de uma fundação privada” e que, “quando foi alertado, o Estado reagiu imediatamente”.

António Costa disse ainda que a Ordem dos Médicos não tinha competência legal para fazer um relatório sobre as falhas no lar. “Não acordámos agora por causa do relatório de uma entidade [Ordem dos Médicos] que não tem competência legal para fazer esse estudo”, declarou o primeiro-ministro.