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O British Museum, um dos museus mais visitados de Londres, retirou o busto do seu fundador do pedestal onde se encontrava e recolocou-o junto a outras peças e protegido por um vidro de segurança. O próprio museu, como conta a CNN, comunicou esta terça-feira que decidiu retirar busto de Hans Sloane da posição privilegiada onde estava até agora devido ao seu passado esclavagista, que agora é devidamente explicado junto à peça.

O diretor do museu, Hartwing Fischer, num comunicado citado pela AFP e pela CNN, justificou o ato, dizendo que “o compromisso com a verdade é crucial quando para [o museu enfrentar a sua] própria história“. Para Fischer, dizer a verdade sobre este lado de Sloane, que era partidário da “escravatura” e do “tráfico de escravos” permite “destacar a complexidade e ambiguidade desse período”. E, por isso, deve ser lembrado que o fundador do museu “foi médico, colecionador, académico, filantropo”, mas também “proprietário de escravos”.

A inciativa surge na sequência do movimento Black Lives Matter — que ganhou dimensão após a morte de George Floyd — e que tem questionado os símbolos coloniais que ainda existem pelo mundo fora. Essa pressão do ativismo levou o Reino Unido a refletir sobre o seu passado colonial e sobre os símbolos que preserva nas ruas e nos museus.

Embora não houvesse nenhuma vaga de fundo especificamente contra o busto de Hans Sloane em Londres, em Bristol, como lembra a CNN, um grupo de manifestante derrubou e atirou ao rio a estátua de Edward Colston, um antigo traficante de escravos. Depois disso cresceu a pressão para que outros símbolos que homenageavam esclavagistas fossem retirados de locais públicos.

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Apesar de retirar o busto de um local mais nobre do museu, o diretor do British Museum diz que a instituição continua a reconhecer “a visão de Sloane de dar acesso público universal e gratuito à coleção do museu e o benefício público gerado através do British Museum”. Ao mesmo tempo, disse o diretor da instituição, o British Museum vai continuar a explorar a sua história e está disposto a fazê-lo “em colaboração com pessoas de todo o mundo para reescrevermos como iguais a nossa história compartilhada, complicada e, às vezes, muito dolorosa“.

Sloane nasceu na Irlanda em 1660 e morreu em 1753. Era médico de profissão, mas, beneficiando da fortuna da mulher — por sua vez, viúva de um proprietário de uma plantação de açúcar na Jamaica — adquiriu uma coleção de história natural que seria a base do British Museum. O Museu admite ainda recolocar outras peças pelas mesmas razões.