A Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG) propôs esta quinta-feira a criação de um gabinete de crise interministerial e intersetorial para a Covid-19, e para as políticas para o envelhecimento.

“Se as pessoas idosas em ‘lar’ tivessem tido inicialmente o mesmo acesso a equipamentos de proteção individual que outros e se os profissionais também tivessem sido considerados e respeitados como prestadores de cuidados ‘na linha da frente’, com acesso prioritário a equipamentos de proteção individual, muitos casos provavelmente não teriam acontecido”, considera a SPGG, referindo que “está por fazer essa análise”.

Num documento em que apresenta um conjunto de propostas e reflexões, sobre a matéria do envelhecimento e das pessoas idosas e em tempo de pandemia, a Sociedade de Geriatria defende também a criação de um gabinete permanente interministerial para as políticas do envelhecimento e das pessoas idosas e famílias, que integre a SPGG.

“Os mais velhos, doentes, dependentes e vulneráveis não devem ser utilizados para outros interesses que não respeitem os seus direitos e que violem a sua intimidade, a sua privacidade e a sua dignidade”, considera a SPGG, adiantando que o conjunto de propostas enquadra-se “numa formação e dignificação da idade ao longo da vida”.

“Reconhecer e quantificar o valor social e económico dos mais velhos portugueses (nas famílias, nas comunidades, na economia, na solidariedade entre as gerações, na coesão social) e promover a melhoria da autonomia das pessoas idosas e/ou com dependência, prioritariamente no seu meio habitual de vida”, são outras das propostas da SPGG, que defende também a promoção de medidas que melhorem a mobilidade e acessibilidade a serviços, nomeadamente da Saúde e o desenvolvimento de respostas “inovadoras e integradas”, nomeadamente entre a saúde e a segurança social, de compromisso de parceria entre as entidades públicas e o setor social solidário.

As pessoas idosas que vivem em instituições e os profissionais que “dedicada e competentemente” aí trabalham, “devem merecer o mesmo respeito que qualquer outra pessoa doente, que qualquer outra pessoa com dependência e que qualquer outro profissional idóneo de outro contexto”, considera.

“A desvalorização pública afeta os sentimentos de segurança, de autoestima e de confiança e, em última análise desrespeita totalmente o primado da proteção e da dignidade que todos, sem discriminação, merecem”, sustenta a sociedade.

Promover a adaptação dos serviços de saúde e criar um paradigma que permita acompanhar as evoluções demográficas e as situações de crise sanitária e social e o cumprimento das medidas fiscalizadoras que competem aos serviços do Estado, incluem-se também nas propostas da SPGG.

Defende ainda que o apoio às famílias que prestam cuidados a pessoas idosas com dependência e à formação de prestadores de cuidados, de profissionais, familiares, voluntários e outras pessoas da comunidade, assim como, o melhoramento de medidas preventivas do isolamento e da exclusão.

“O Estado deve concorrer para uma atitude pedagógica social e institucional, no sentido da corresponsabilidade e do respeito pelas pessoas”, acrescenta.