A Polícia Judiciária (PJ) deteve um homem, entretanto colocado em prisão preventiva, por suspeitas de associação criminosa internacional, num esquema que desde 2016 burlou em quase 1,5 milhões de euros estrangeiros que procuravam alojamento de férias em Portugal.

Em comunicado, esta sexta-feira divulgado, a Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ, adianta que o homem, estrangeiro, de cerca de 30 anos, foi detido na quinta-feira, na Amadora, dando cumprimento a um mandato emitido pelo Tribunal de Sintra, estando o suspeito “indiciado pela prática de um crime de associação criminosa, 673 crimes de burla qualificada, 40 crimes de falsidade informática e um crime de branqueamento”.

“O detido foi presente durante o dia de ontem [quinta-feira] ao TIC [Tribunal de Instrução Criminal] de Sintra, para primeiro interrogatório de arguido detido, tendo-lhe sido aplicada a medida de coação de prisão preventiva”, refere o comunicado.

No âmbito da mesma investigação já haviam sido detidas pela PJ 27 pessoas, “implicadas na participação dos referidos crimes”.

Sobre o homem detido na quinta-feira, a PJ adianta que “é suspeito de fazer parte de uma estrutura criminosa transnacional que atuou em Portugal desde pelo menos junho de 2016, para burlar pessoas na internet e seguidamente branquear o dinheiro através da angariação de ‘Money Mules'”.

As ‘money mules’ (mulas de dinheiro) são pessoas usadas para processos de lavagem de dinheiro, que consistem em aceitar receber dinheiro de terceiros na conta bancária, o qual depois transferem para outra pessoa, ou levantando em numerário, entregando a quantia em dinheiro, recebendo uma comissão pelo serviço prestado.

“A organização colocava anúncios na internet onde oferecia imóveis em Portugal para arrendamento. As vítimas eram na sua esmagadora maioria estrangeiros, residentes em Espanha, Alemanha, Áustria, República Checa, Holanda, Estónia, Finlândia, Suíça, Reino Unido, entre outros, que procuravam Portugal como destino de férias”, explicita a PJ. Segundo a PJ, “o valor total estimado da burla é superior a 1,42 milhões de euros”.