O Facebook cometeu um erro ao permitir a página de uma milícia, no início desta semana, que apelou a civis armados para entrarem em Kenosha, no estado norte-americano de Wisconsin, durante protestos violentos, disse o CEO da empresa.

“Foi em grande parte um erro operacional. Os empreiteiros, os revisores, para quem as reclamações iniciais foram encaminhadas, basicamente, não perceberam isso”, afirmou Mark Zuckerberg.

A página da Kenosha Guard (Guarda de Kenosha) violou as políticas do Facebook e foi sinalizada por “muita gente”, afirmou Zuckerberg, num vídeo publicado naquela rede social.

A empresa adotou novas diretrizes nas últimas semanas para remover ou restringir publicações de grupos que representem uma ameaça para a segurança pública.

O Facebook retirou a página na quarta-feira, depois de um jovem civil armado ter supostamente matado duas pessoas e ferido uma terceira, na noite de terça-feira, durante os protestos que se seguiram depois de o afroamericano Jacob Blake ter sido alvejado sete vezes nas costas, por um polícia caucasiano, no domingo.

Revelado nome do agente que alvejou Jacob Blake. Rusten Sheskey, neto de um polícia, chegou ao departamento há 7 anos

Zuckerberg não se desculpou pelo erro e disse que, até ao momento, o Facebook não encontrou nenhuma prova de que Kyle Rittenhouse, o suposto atirador de 17 anos, estava ciente da existência da página Kenosha Guard e do convite que publicou para que membros de uma milícia armada fossem a Kenosha.

O Facebook está agora a retirar publicações que elogiam o tiroteio de terça-feira, segundo Zuckerberg.

Ainda assim, uma reportagem publicada na quinta-feira pelo jornal britânico The Guardian encontrou exemplos de apoio e até mensagens de recolha de fundos a serem partilhados no Facebook e no serviço de partilha de fotografias Instagram.

Zuckerberg contrastou ainda o tratamento feito a Jacob Blake, alvejado sete vezes nas costas pela polícia, e o jovem caucasiano de 17 anos acusado de matar duas pessoas, que carregava uma arma AR-15 perto da polícia sem ser questionado, e reconheceu a manifestação pelos direitos civis que se realizou na sexta-feira, em Washington D.C..

“Há uma sensação de que as coisas não estão realmente a melhorar à velocidade que deviam, e acho isso muito doloroso e desanimador”, apontou.

Zuckerberg sublinhou ainda que a empresa está a trabalhar para melhorar a sua execução, apesar de não fornecer mais pormenores, reconhecendo que as próximas eleições presidenciais apresentariam desafios ainda maiores à volta da polarização de conteúdo.

“Há um risco crescente, contínuo e real nas eleições durante este período muito sensível, polarizado e altamente carregado”, finalizou.

A violência policial que deixou Blake gravemente ferido, no passado domingo, em Kenosha, no Wisconsin, foi o pretexto para o desencadear de manifestações populares que apanharam pela frente milícias integradas por caucasianos, e que resultou, na passada terça-feira, na morte de duas pessoas, assassinadas a tiro por um miliciano.

O autor das duas mortes, Kyle Rittenhouse, foi formalmente acusado de cinco crimes, que incluem homicídio voluntário de primeiro grau e homicídio imprudente de primeiro grau, assim como posse de arma perigosa por um menor, acusações que lhe podem custar uma pena de prisão perpétua.

O caso de violência policial contra Jacob Blake ocorreu cerca de três meses depois da morte do também afro-americano George Floyd, sufocado por um polícia caucasiano a 25 de maio, em Minneapolis.