O valor da propina do novo curso de Medicina da Católica ainda não está totalmente definido, mas a reitora da universidade reconhece que “será caro”. Isabel Capeloa Gil disse esta quinta-feira à rádio Observador que o elevado custo da formação em medicina “tem de ser revertido, de alguma forma, na propina”, mas adianta que vai procurar mecenas para tentar baixar o valor, nomeadamente através de bolsas de mérito e apoios sociais a estudantes em situação de fragilidade.

“O valor está estudado, vamos fazer alguns ajustamentos, porque não queremos ter uma propina que seja inflacionada. Tem de cobrir os custos reais de um curso de medicina”, que tende a custar 100 mil euros por estudante no ensino público e que não será muito diferente no caso do curso da Católica, admite a reitora.

Significa isto que, num curso de 6 anos, a propina será de 17 mil euros por ano? Isabel Capeloa Gil não se compromete com um valor, mas garante que “será inferior” a essa verba. Será “com certeza” o curso mais caro da Católica, porque “a formação é mais cara”, reconhece.

Medicina na Católica: “Dizer que o Governo cedeu a pressões políticas é extravasar processo de avaliação”

Competências relacionais podem fazer diferença no acesso

Embora o processo de admissão ao curso da Católica seja “idêntico à das universidades publicas”, com a nota dos alunos a ter peso preponderante, Isabel Capeloa Gil revela que os candidatos ao curso vão ter de se sujeitar a uma entrevista que “testará capacidades relacionais”, que vale 15% na ponderação final. É fundamental ainda ter um certificado de habilitações em inglês, porque é essa a língua em que o curso será dado.

Com início planeado para setembro de 2021, o curso foi pensado para 100 vagas, mas a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior impôs que no primeiro ano começasse só com um máximo de 50 alunos. As vagas aumentarão depois nos anos seguintes, se renovada a licença ao final do primeiro ano. “Começaremos em torno dos 50 e depois avançaremos para os 100, que é para isso que está instalada a capacidade formativa da Católica”, diz a reitora.

Questionada sobre as críticas que foram feitas na sequência da aprovação do curso pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, Isabel Capeloa Gil considera que houve “um conjunto de discursos e narrativas que vieram a público que são irracionais”.

Novo curso de Medicina na Católica limitado a 50 alunos

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas acusou o Governo de ter cedido a pressões políticas para autorizar a abertura do curso de Medicina na Universidade Católica, mas a reitora da UCP rejeita. “Eu percebo a posição do Conselho de Escolas Médicas, que é protetora de um determinado status quo”. “Há uma questão de protecionismo da profissão e do modelo de formação”, garante.

“Dizer que o Governo cedeu a pressões políticas é extravasar em muito aquilo que é o processo de avaliação, porque a agência [de avaliação e acreditação do Ensino Superior] é independente do Governo”, garante Isabel Capeloa Gil.

A posição Conselho de Escolas Médicas “parte do princípio que a Universidade Católica Portuguesa tem uma força política extraordinária”, considera a reitora. “Fazer pressão política sobre o Governo é um bocadinho inaudito”.

Em relação à posição manifestada pela Ordem dos Médicos, Isabel Capeloa Gil diz que “não há registo na criação de cursos de Medicina em Portugal de pareceres positivos” da Ordem dos Médicos. “Nunca deu parecer positivo à criação de novas faculdades de medicina. Portanto, não o iria fazer agora”. Mas a reitora nota diferenças em relação ao parecer à primeira proposta: “Não é positivo nem negativo” desta vez.

A reitora, que considera a decisão como “histórica”, por ser o primeiro curso de medicina não estatal em Portugal, diz que, ao contrário da avaliação feita à primeira proposta da Universidade Católica — em que foram usados “argumentos de ordem política” — agora a análise da agência responsável pela acreditação “cinge-se aos aspetos académicos, curriculares, científicos e clínicos da proposta”. Uma evolução que vê como normal, tendo em conta que os processos de acreditação “são dinâmicos”.