A Associação Muenho, organização não-governamental angolana de mulheres com o vírus da Sida, queixou-se esta quinta-feira que “persiste” no país a “discriminação e violação dos direitos das mulheres seropositivas”, nomeadamente o direito à saúde.

Segundo afirmou a presidente da Associação Muenho, Rosa Pedro, “muitas mulheres seropositivas, pelo facto de estarem neste estado, são violentadas”, e é-lhes “cortado o direito à saúde”.

À margem da cerimónia de apresentação da brochura do guia das recomendações da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW, na sigla inglesa), a responsável reconheceu ainda que nas áreas rurais as mulheres precisam saber mais sobre os seus direitos.

Tomando como exemplo os membros da Associação, Rosa Pedro considerou que um melhor conhecimento dos pressupostos da CEDAW vai ajudar as mulheres seropositivas a verem salvaguardados os seus direitos à saúde.

Principalmente as mulheres vivendo com o VIH/Sida, muitos dos seus direitos têm sido violados, como o direto à saúde, onde temos ainda muitos problemas, e isso também vai nos ajudar para a contínua divulgação desses direitos”, disse, em declarações aos jornalistas.

Rosa Pedro disse que a Muenho tem conhecimento diário de vários problemas, nomeadamente queixas de ordem jurídica ou violência doméstica, sobretudo quando o parceiro descobre o estado serológico da companheira.

Logo na primeira fase, adiantou, “há muita violência no lar” e a associação tem estado “a orientar também nesta questão para que elas procurem ajuda”.

“Ainda há discriminação, muitas mulheres na comunidade ainda não têm esse conhecimento em relação a vários assuntos e muitas não sabem que devem procurar ajuda”, sublinhou. “Ainda têm medo, principalmente seropositivas, que não querem divulgar a sua condição”, acrescentou.

A Associação Muenho foi criada em 2004 e é de âmbito nacional, sendo os seus membros maioritariamente mulheres.