O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) defendeu esta quarta-feira que a TAP não tem excesso de pilotos, mesmo “considerando uma redução de atividade”, numa reunião com a consultora Boston Consulting Group (BCG), encarregada da reestruturação da companhia aérea.

Numa comunicação aos associados, a que a Lusa teve acesso, enviada esta quarta-feira após uma reunião sobre o processo de reestruturação do grupo TAP, o SPAC informa que apresentou as conclusões dos estudos realizados que “apontam para a inexistência de excesso de pilotos, mesmo considerando uma redução da actividade”, tendo manifestado ser “fundamental manter um nível de pilotos que permita garantir uma retoma significativa da operação e uma massa crítica mínima da empresa que assegure a sua recuperação”.

Ainda que tenha manifestado que “não considera necessário proceder à redução do número de pilotos”, a estrutura sindical “declarou que devem ser criados mecanismos voluntários para se reduzir a disponibilidade de pilotos, como sejam as reformas antecipadas e as pré-reformas”.

Na comunicação aos associados, o SPAC adianta que a reunião desta quarta-feira se iniciou com uma apresentação do Presidente do Conselho de Administração, Miguel Frasquilho, e do COO, Ramiro Sequeira, com o objetivo de ouvir “o SPAC sobre o processo de reestruturação e futuro da TAP”.

Após a apresentação inicial, adianta, a reunião continuou apenas com o PMO [project management office] do processo, Miguel Malaquias Pereira, e os consultores do BCG.

“O SPAC teve oportunidade de referir os aspectos cuja observação considera essencial no processo de reestruturação”, referindo ter transmitido que sabe que o processo “tem grandes dificuldades pela frente, em particular a imprevisibilidade da atividade futura no actual contexto da aviação civil e, por outro, o obstáculo que se consubstancia na aprovação por parte dos órgãos da Comissão Europeia”, lê-se na comunicação a que a Lusa teve acesso.

O sindicato manifestou ainda “total disponibilidade para contribuir com o seu conhecimento técnico para a definição do contingente de pilotos que irão operar as aeronaves necessárias que viabilizarão as rotas previstas na rede e no modelo de negócio da actividade futura da empresa, cuja responsabilidade pertence, em última instância, ao acionista Estado”.

Como a Lusa noticiou esta quarta-feira também o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) se reuniu com a TAP e o BCG, tendo referido na comunicação aos seus associados que não foram apresentados dados objetivos sobre o processo de reestruturação.

TAP. Sindicato diz que consultora encarregue de reestruturação ainda não apresentou dados

No seguimento da aprovação pela Comissão Europeia de um auxílio estatal à TAP, o grupo aéreo procedeu a uma consulta no mercado para selecionar uma entidade que preste serviços de consultoria, no sentido de auxiliar na elaboração de um plano de reestruturação, a apresentar à Comissão Europeia.

“Queremos que este plano de reestruturação que se irá iniciar seja e se transforme num verdadeiro Plano de Recuperação da TAP”, refere, no mesmo documento, o presidente do Conselho de Administração do grupo TAP.