Esta história transporta-nos para os verdejantes prados do Reino Unido, país que é o maior produtor de borrego da Europa, com cerca de 40% dos efetivos de ovino. É aí, com um clima húmido ao longo de todo o ano, que são criados os borregos certificados com o Quality Standard Mark. Atribuído pelo Agriculture and Horticulture Development Board (AHDB), o organismo intersetorial que regula o setor da carne no Reino Unido, este selo garante a autenticidade, a traçabilidade e o rigoroso controlo de qualidade que cobre todo o processo de produção da carne, como a de borrego.

Há um conjunto de ações e processos que são validados. Entre eles, destacamos os que se referem à proteção do meio ambiente. Sim, é verdade, podemos afirmar que a carne de borrego produzida no Reino Unido tem custos ambientais menores do que a que é produzida noutros países. Curioso? Explicamos-lhes porquê nos três pontos que se seguem.

1) Baixa produção de gases com efeito estufa

As atividades de pastoreio do Reino Unido são consideradas das mais eficientes do mundo. Em virtude dos eficientes sistemas de produção, as pastagens do Reino Unido têm uma capacidade para “sequestrar” dióxido de carbono (CO2) acima da média, ao permitirem uma elevada retenção de carbono no solo. A verdade é que as emissões de CO2 relacionadas com a produção de gado no Reino Unido desceram 24% desde 1990. De tal forma que a pegada ecológica de um quilo de carne de borrego no Reino Unido é de 14,6 quilos de CO2, que comparam com 24 quilos de média global.

Há estudos que comprovam que as pastagens do Reino Unido são mais eficientes na retenção de carbono do que as florestas: é que enquanto nas pastagens, o carbono é retido no solo, nas florestas, ele fixa-se nas folhas e na biomassa. A sua simples limpeza vai, pois, remover parte dessa retenção, já para não falar dos incêndios, nos quais a sua libertação é total.

Outro fator importante é que as ovelhas, por se alimentarem de erva, consomem carbono que é transformado nos aminoácidos da fibra de lã: cerca de 40% do peso da lã é carbono biogénico. Assim, ao adquirir vestuário em lã ou materiais isolantes com base na mesma, está a contribuir para a retenção do carbono, ao contrário do que acontece com as fibras sintéticas ou o plástico, cujo efeito é o oposto.

2) O pastoreio no Reino Unido é benéfico para o meio-ambiente

Há um conjunto de motivos que fazem do pastoreio do Reino Unido um fator de sustentabilidade para o meio ambiente. Desde logo, cerca de 65% do território arável do país é mais adequado para pastagens do que para qualquer outra atividade agrícola, e o clima e os solos calcário-argilosos e montanhosos são ideais para o crescimento da erva que serve para alimentar o borrego.

A base do pasto é a “ryegrass” — ou trigo verde —, que contém uma apreciável quantidade de trevo branco e vermelho. Esta favorável composição do solo assim como o aproveitamento do estrume são determinantes para a fixação da água no solo, e funcionam como fertilizantes naturais, evitando a utilização dos sintéticos, que contribuem, em larga escala, para a libertação dos tão nefastos óxidos nitrosos.

Quality Standard British Lamb

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Sabia que o borrego inglês é certificado pela norma de qualidade britânica Quality Standard Mark? Este selo de garantia certifica um conjunto de procedimentos e cuidados que vão desde a proteção do ambiente e dos animais à sua alimentação, passando pelo transporte, abate e manuseamento da carne até chegar ao consumidor final. Por exemplo, no que toca ao meio ambiente, a melhoria do desempenho reduz as emissões de gases com efeito de estufa e a captura de carbono é otimizada pela gestão das pastagens rotativas.

Em prol da saúde, é importante apostar em carne de qualidade, como a certificada com o selo Quality Standard Mark e disponibilizada pelo Agriculture and Horticulture Development Board

A criação de gado no Reino Unido, como o borrego, faz parte de um programa de desenvolvimento durável da agricultura britânica. A melhor seleção genética das raças está adaptada à melhor conversão de pasto em carne, em função do ambiente. Desta forma, a proteção do ambiente segue um ciclo de ecossistema específico, criando-se um ciclo virtuoso da sustentabilidade: a alimentação segue regras específicas que têm em conta a proteção ambiental, o que acaba por proteger os animais, os quais se alimentam consoante as suas necessidades, sem químicos.

Para que este ciclo seja possível, as pastagens com zonas não cultiváveis são mantidas de forma natural, com declives, pântanos e charnecas; a utilização de fertilizantes é reduzida (potássio e azoto); a manutenção das paisagens das zonas rurais é também feita de forma natural, não havendo interferência humana nos baldios, caminhos, charcos, sebes ou nos bosques; as paisagens possibilitam a redução das emissões de gases, uma vez que se criam poços de carbono — a captação otimizada de carbono é feita através, por exemplo, da gestão das pastagens giratórias, das sebes e bosques, assim como de talhões —; a biodiversidade é mantida, com incentivos distribuídos por associações privadas para proteger o ecossistema, como a manutenção das sebes para proteger os ninhos de pássaros, manutenção dos charcos para sapos e libélulas — aliás, cerca de 770 espécies de flores selvagens e 1400 espécies de polinizadores e outros insetos dependem destes pastos para a sua sobrevivência —; os dejetos dos animais são reciclados, sendo utilizados como fertilizantes dos solos, assim como outros dejetos, como plástico para as silagens e fardos redondos, e as cordas para embrulhos; e existe um controlo de reforço da qualidade de água. No que toca a este ponto, o borrego inglês tem grandes vantagens em relação ao de outros países. Estima-se que são necessários 57,759 litros de água para produzir um quilo de carne de borrego. Contudo, no Reino Unido, 96,6% dessa água vem da chuva, sendo que apenas 0,1% da água é da torneira. Ou seja, não existe um consumo excessivo de água na produção do borrego inglês.

3) A alimentação do borrego no Reino Unido não retira recursos da natureza

A erva representa 92% de toda a alimentação de gado no Reino Unido, enquanto só os restantes 8% são alimentos compostos que são bem mais importantes noutros países, que não beneficiam dos mesmos níveis de precipitação e qualidade de pasto. Isso significa que uma parte significativa da alimentação do gado inglês, como o borrego, resulta de uma dieta à base de forragens, pelo que o pastoreio no Reino Unido não é, de modo algum, um fator de desflorestação, como acontece noutras partes do mundo.

Os subprodutos de outras atividades, como as cascas de cereais utilizadas pelas indústrias alcoólicas, também integram a alimentação do borrego inglês. Desta forma, a atividade pecuária ajuda a reduzir a pegada ecológica, já que aqueles subprodutos seriam incinerados caso não fossem consumidos pelo gado.

Dos produtos embalados ao talho

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De momento apenas podemos adquirir embalagens com o selo QSM no linear dos produtos embalados, como as costeletas inteiras ou limpas do Carré ou os bifes de alcatra. Mas, a partir do talho, podemos obter uma maior variedade de cortes do borrego do Reino Unido. Não deixe de explorar, na secção Versatilidade no novo site bifelovers.pt, a variedade de cortes disponíveis a partir do talho do seu supermercado.

Acresce que em 31 países europeus, o Reino Unido é o que tem a quinta mais baixa utilização de antibióticos, só atrás da Noruega, Islândia, Suécia e Finlândia, cujos climas mais frios impedem o desenvolvimento bacteriológico. A sua utilização diminuiu em 53% entre 2014 e 2018, fruto de um rigoroso controlo sanitário que só permite a sua utilização para o bem-estar animal. A entrada dos animais na cadeia de consumo só é permitida quando for 100% segura.

Por tudo isto, a criação de borregos no Reino Unido integra-se num conceito de agricultura sustentável: a sua pegada ecológica é baixa, não retirando recursos da natureza que poderiam ser utilizados para outro fim. O resultado é uma carne de borrego muito sã e saborosa, que pode ser explorada através de uma grande diversidade de cortes e receitas.