Os curadores da Bienal de Arquitetura de Veneza, adiada para 2021, anunciaram o compromisso de estabelecer uma plataforma de partilha de conteúdos, num projeto a longo prazo, que permaneça para lá das edições da mostra.

“Comprometemo-nos a estabelecer uma plataforma, nos próximos meses, para a partilha do conteúdo das exposições e pesquisa de correlações“, lê-se no comunicado subscrito pelos curadores dos pavilhões nacionais da próxima edição. “Pretendemos que esta troca resulte em colaborações concretas e projetos partilhados entre os países que evidenciem os objetivos e preocupações comuns dentro da nossa profissão. O nosso objetivo é a consolidação e estabelecimento desta plataforma independente, assegurando um canal aberto de longo prazo para a troca contínua entre curadores, não só para a Biennale de 2021 mas para todas as futuras Biennales di Venezia”, afirmam.

Entre os subscritores está o coletivo de arquitetos portugueses depA, do Porto, constituído por Carlos Azevedo, João Crisóstomo, Luís Sobral e Miguel Santos, que desenvolveu o projeto “In Conflict”, para responder ao tema “Como vamos viver juntos?”, lançado em julho de 2019 pelo curador-geral da bienal, o arquiteto libanês Hashim Sarkis.

“A questão central da 17.ª Biennale Architettura ‘How will we live together?’ revestiu-se de um novo significado com a pandemia de Covid-19, que continua a provocar interferências imprevistas e inimagináveis por todo o globo”, referem os curadores. “Com as nossas vidas e sustento em risco, devemos reavaliar a forma como pensamos a nossa profissão, os nossos modos de colaboração e o nosso meio edificado. A extensão de tempo até à nova data de abertura em 2021 da Bienal apresenta-se como uma oportunidade única para os representantes das participações nacionais formarem uma comunidade, descobrindo as vozes e tópicos de cada um e abrindo a possibilidade para esforços conjuntos”, asseguram.

A constituição da plataforma surge na sequência do diálogo internacional ‘online’, iniciado em 23 de maio, data prevista para a abertura da mostra, por iniciativa dos representantes da República da Coreia. De imediato se juntaram mais de 30 representantes dos países participantes, assim como o curador-geral, Hashim Sarkis. “Encaramos esta iniciativa como um passo face à construção de uma Biennale Architettura ainda melhor, com maior ênfase no papel da compreensão, do intercâmbio e das descobertas mútuas, transversais à estrutura existente de um concurso internacional que seleciona e premeia a excelência. Procuramos ainda incentivar o potencial deste evento global, de se tornar uma assembleia ativa, onde o todo é maior do que a real soma das partes”, frisam.

“Ao publicarmos este comunicado conjunto (…) não sabemos ainda como estes esforços se irão materializar. Não temos dúvida porém que este é um passo necessário para a nossa comunidade, nesta nova era”, garantem. O comunicado é subscrito por mais de 80 arquitetos e curadores, de 34 representações nacionais, de países como Bélgica, Brasil, Canadá, China, Dinamarca, Espanha, Holanda, Irlanda, Itália, Iraque, Japão, Reino Unido.

A abertura da 17.ª Bienal de Arquitetura de Veneza esteve prevista para 29 de agosto, depois do adiamento, em maio, mas as datas foram fixadas para o período de 22 de maio a 21 de novembro de 2021, por causa da pandemia de Covid-19. A 59.ª Bienal de Arte, que devia realizar-se no próximo ano, foi igualmente adiada para 2022, de modo a garantir a alternância entre as duas manifestações.

A pandemia de Covid-19 já provocou pelo menos 863.679 mortos e infetou mais de 26 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.