O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) manifestou-se esta sexta-feira “muito preocupado” com a “lentidão da recuperação da operação” da TAP, defendendo que a companhia “tem que manter uma dimensão próxima da atual” depois da reestruturação.

Depois de uma reunião com a administração, que contou com a presença do Boston Consulting Group (BCG), que será responsável pela reestruturação da TAP, o SITAVA manifestou a sua preocupação acerca do futuro da empresa.

“Fizemos saber, em representação dos trabalhadores de terra da companhia, que estamos muito preocupados, e até surpreendidos, com a lentidão da recuperação da operação, quando comparamos com os nossos principais concorrentes”, pode ler-se num comunicado divulgado pelo sindicato.

A estrutura representativa dos trabalhadores defende também que “a TAP, para poder continuar a ser útil ao país, aos trabalhadores e à economia nacional, tem que manter uma dimensão próxima da atual”, contrariando a ideia do que o sindicato apelida de “alguns lóbis – nacionais e estrangeiros”.

“Sabendo nós, com saber de experiência feito, que este é um negócio onde a escala é determinante para garantir o sucesso, afirmamos perentoriamente que não há trabalhadores em excesso. Poderá haver, isso sim e temporariamente nalguns setores da empresa, é trabalho a menos, circunstância essa que, como se sabe, cabe inteiramente à administração resolver”, pode também ler-se no comunicado do SITAVA.

O sindicato apelou ainda ao “cumprimento da contratação coletiva” e indicou que estará atento “ao cumprimento do Acordo de Empresa”.

“Espera o SITAVA e os trabalhadores que o Estado português, enquanto maior acionista da empresa, honre todos os compromissos assumidos, e, muito rapidamente, clarifique que estratégia tem para a empresa de modo a que esta possa continuar o seu desígnio de grande exportadora nacional”, indicou a estrutura sindical.

Além do SITAVA, também o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) e o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) já se reuniram com o Boston Consulting Group.

O SPAC relatou que a primeira versão do plano de reestruturação da TAP deve estar concluída no prazo de dois meses, segundo informação dada na quarta-feira pelo Boston Consulting Group (BCG), após a reunião.

Numa comunicação aos associados, a que a Lusa teve acesso, o SPAC adianta que a consultora escolhida para a reestruturação do grupo TAP informou que “os estudos para a reestruturação devem ter uma primeira versão no prazo de dois meses”.

Nas comunicações aos trabalhadores sobre o conteúdo da reunião, a que a Lusa teve acesso, o SPAC adiantou também que apresentou estudos que “apontam para a inexistência de excesso de pilotos, mesmo considerando uma redução da atividade”, tendo manifestado ser “fundamental manter um nível de pilotos que permita garantir uma retoma significativa da operação e uma massa crítica mínima da empresa que assegure a sua recuperação”.

Já o SNPVAC afirmou na quarta-feira, numa comunicação enviada aos trabalhadores, que o BCG ainda não apresentou dados objetivos sobre o processo.

“Os consultores não apresentaram qualquer estratégia ou caminho para o futuro. Como fizemos questão de esclarecer, só é possível dar qualquer contributo quando nos forem apresentados os dados objetivos em que a reestruturação pretende assentar”, pode ler-se numa comunicação a que a Lusa teve acesso, depois de uma reunião com as duas partes.

A Boston Consulting Group foi a consultora selecionada para a elaboração do plano de reestruturação da TAP, anunciou a 11 de agosto o presidente do Conselho de Administração do grupo, Miguel Frasquilho, numa carta aos colaboradores a que a Lusa teve acesso.

No seguimento da aprovação pela Comissão Europeia de um auxílio estatal à TAP, o grupo aéreo procedeu a uma consulta no mercado para selecionar uma entidade que preste serviços de consultoria, no sentido de auxiliar na elaboração de um plano de reestruturação, a apresentar à Comissão Europeia.