Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Valencia, Inter, Juventus, Manchester City. São poucos os jogadores que possam dizer que têm este currículo nas quatro últimas temporadas, ainda para mais jogando numa posição menos atrativa do que os médios criativos ou os avançados. João Cancelo tem. E tem mesmo com uma adaptação complicada a Inglaterra, onde começou por ficar tapado por Kyle Walker, depois não terá cumprido aquilo que Pep Guardiola pretendia e acabou a jogar de forma bem mais regular, à direita e também à esquerda em alguns encontros. Com Ricardo Pereira a recuperar de lesão grave e Cédric Soares fora das opções, foi chamado para os dois primeiros jogos da Liga das Nações com o lateral Nelson Semedo, do Barcelona. Ganhou o lugar, marcou e teve a semana que precisava.

Fernando Santos encontrou um outro CR e com Jota se escreveu o resto (a crónica do Portugal-Croácia)

Esta quinta-feira, em entrevista ao Canal 11, revelou que “não tem qualquer problema” em falar sobre o momento que chegou a colocar em causa a carreira: o acidente de viação que vitimou a mãe num carro onde também seguia. “Sei que está muito orgulhosa do meu percurso. A única coisa que me falta é ela. Hoje tenho tudo, tenho uma filha lindíssima, tenho uma família também lindíssima e quem mais merecia ver o meu sucesso era ela. Mas sei que certamente ela está orgulhosa de mim”, referiu, abordando também a “vontade de desistir” e o dia em que o pai teve uma conversa que acabou por fazer retomar o caminho do futebol, então ainda no Benfica.

“A minha mãe era o suporte da minha vida. Tudo o que tenho devo ao meu pai, também, porque era emigrante na Suíça, mas devo-o principalmente à minha mãe, que tinha três trabalhos por dia. Naquela altura eu vivia em casa dos meus avós, muito poucas vezes a via e às vezes as pessoas que mais queremos ter por perto para que vejam o nosso sucesso, já não as temos. Isso ensinou-me a lidar com as pessoas de outra maneira, a não deixar nada por dizer. Estive um mês em casa sem treinar. Não queria sair de casa, não me sentia preparado para voltar a jogar. Um dia em que o meu pai falou comigo, disse-me que não podia voltar a ser emigrante porque tinha de tomar conta de mim e do meu irmão, e foi a partir das lágrimas do meu pai que decidi voltar a jogar. Hoje tudo o que faço é em memória dela e todos os títulos que ganho, individuais e coletivos, serão em memória dela. Uma mãe é uma mãe e ela é sem dúvida o amor da minha vida”, acrescentou na mesma entrevista.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

João Cancelo falou abertamente do seu percurso, da carreira e do momento que atravessa, dando prolongamento ao mesmo na receção de Portugal à Croácia. Além de ter regressado aos golos, após ter marcado três nas primeiras três internacionalizações pelo conjunto principal, o lateral foi um dos melhores da equipa de Fernando Santos a dar outra largura e profundidade ao jogo da Seleção numa das exibições mais conseguidas dos últimos tempos. No final, o jogador do vice-campeão inglês preferiu colocar o enfoque no coletivo e apontou já baterias ao próximo encontro em Solna, frente à Suécia, que perdeu esta noite na receção à França.

“Em termos coletivos, fizemos um bom jogo, temos jogadores de grande qualidade. Fizemos um jogo compacto, junto, defendemos e atacámos bem. Merecemos esta vitória. Alguns jogadores vieram de férias, treinámos por nós próprios. Saí da Champions no dia 15, estive duas semanas parado, treinei sozinho e sinto-me bem, como penso que os colegas se sentiram e isso viu-se em campo. Golo? Claro que fico sempre contente quando jogo bem mas fico ainda mais contente com a vitória da equipa. Os três pontos são importantes, num grupo forte como o nosso. Na Suécia é importante ganhar, mas neste dois dias vamos repousar, ver os erros que tivemos neste jogo e melhorar no próximo para conseguirmos outra vitória”, comentou no final do encontro que concluiu uma semana importante para o jogador, na antecâmara do segundo ano na Premier League e do Europeu de 2021.