O Sudão declarou o país como alvo de um desastre natural e impôs um estado de emergência durante três meses, depois de chuvas intensas e cheias terem provocado a morte a 100 pessoas e a destruição de 100.000 habitações.

O anúncio, feito na sexta-feira, recorda que as inundações causadas por fortes chuvas sazonais, principalmente na vizinha Etiópia, levaram o rio Nilo a subir cerca de 17,5 metros no final de agosto, o nível mais alto que atingiu em cerca de um século, de acordo com o Ministério de Irrigação do Sudão.

O mesmo ministério explicou que os níveis de água do Nilo são mais altos do que aqueles que provocaram as cheias de 1988, que destruíram dezenas de milhares de casas em várias regiões do Sudão e que desalojaram mais de um milhão de pessoas.

A ministra do Trabalho e Desenvolvimento Social, Lina al-Sheikh, disse que as enchentes mataram cerca de 100 pessoas, feriram 46 pessoas e afetaram mais de 500.000 pessoas em todo o país.

Mais de 100.000 casas em todo o país foram total ou parcialmente destruídas, disse a responsável.

A agência humanitária das Nações Unidas (ONU) alertou que a situação deve piorar nas próximas semanas, já que chuvas com intensidade acima da média estão previstas até final do mês.

No início da semana, o gabinete de coordenação de assuntos humanitários da ONU (OCHA) admitiu dificuldades no acesso a água potável, após a contaminação de cerca de 2.000 fontes de água.

O OCHA disse igualmente que as inundações danificaram 43 escolas e 2.671 unidades de saúde em todo o país, e que grandes extensões de terras agrícolas também foram inundadas no meio da temporada de colheita.

A ACNUR, agência de refugiados da ONU, assumiu que dezenas de milhares de refugiados e deslocados internos foram afetados, especialmente na província de Darfur do Norte, onde 15 pessoas morreram e outras 23 estão desaparecidas.