Fazendo frente aos medos da pandemia com as devidas medidas de combate sanitárias, o 14º MOTELX — Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, abre hoje as portas no Cinema São Jorge, onde ficará até ao dia 13, domingo. Além das secções habituais, o festival apresenta este ano uma programação especial composta por curtas-metragens experimentais de terror, onde se exploram as relações entre este género e o cinema de teor experimental, além de outra denominada Pesadelo Americano: O Racismo no Cinema de Terror, que no entanto inclui alguns filmes que nada têm a ver com o fantástico ou o horror.

É o caso de “The Intruder”, de Roger Corman, ou de “O Cão Branco”, de Samuel Fuller. Este, curiosamente, à altura da sua estreia nos EUA, em 1982, foi acusado de racismo e ameaçado de boicote por organizações de defesa de dos direitos dos negros como a NAACP, tendo o estúdio produtor, a Paramount, temendo mais reações políticas negativas, acabado por praticamente o escamotear dos cinemas. De entre a programação deste ano, selecionámos sete filmes que representam outras tantas variantes dentro do universo do cinema de terror. (Pode ver aqui a programação completa aqui)

TERROR ECTOPLÁSMICO – “O Terceiro Andar: Terror na Rua Malaseña”, de Albert Pintó – Espanha, 1976. O país está a sair do regime franquista para a democracia e a família Olmedo saiu da sua aldeia e foi para Madrid, com a perspetiva de novos e melhores empregos, e uma subida no nível de vida para todos os seus membros. Os Olmedo instalam-se no terceiro andar de um velho prédio na Rua Manuela Malaseña, mas descobrem aos poucos que a casa tem outros inquilinos, fantasmagóricos e malignos, que ameaçam os novos ocupantes. (Segunda-feira, 21.00, Cinema São Jorge, sala Manoel de Oliveira)

TERROR DEMONÍACO – “Leap of Faith: William Friedkin on the Exorcist”, de Alexandre O. Philippe – O documentarista Alexandre O. Philippe, autor de trabalhos como “The People vs. George Lucas” ou “Memory: The Origins of Alien”, analisa em profundidade, neste seu novo trabalho, “O Exorcista”, um dos mais célebres, assustadores e influentes filmes de terror da história do cinema, dando a palavra ao seu autor, William Friedkin, que discorre sobre a fita e conta uma série de histórias sobre a produção e a rodagem deste clássico, muitas delas desconhecidas do grande público. (Domingo, 15.00, Cinema São Jorge, sala 3)  

TERROR CÓSMICO – “Sputnik”, de Egor Abramenko – Eis um filme de terror e ficção científica vindo da Rússia, com uma história vagamente reminiscente de “Alien — O Oitavo Passageiro” e das séries B do género americanas. No auge da Guerra Fria, uma jovem psiquiatra é contactada pelas autoridades para, num remoto centro de pesquisas científicas, avaliar a condição mental de um cosmonauta que foi o único sobrevivente de um misterioso acidente espacial, mantido em segredo pelas autoridades comunistas. E a médica descobre que ele não regressou sozinho à Terra. (Terça-feira, 20.50, Cinema São Jorge, sala Manoel de Oliveira / Sábado, 00.15, Cinema São Jorge, sala 3)

TERROR ASIÁTICO – “Dancing Mary”, de Sabu – Nunca nenhum filme dele passou comercialmente em Portugal, mas o prolífero japonês Sabu (pseudónimo de Hiroyuki Tanaka) é bem conhecido dos apreciadores de cinema asiático e daqueles que frequentam os grandes festivais de cinema mundiais. “Dancing Mary” é o seu penúltimo filme e a história centra-se num velho edifício que não pode ser demolido porque lá funcionou um salão de dança assombrado pelo espírito de uma rapariga. Um jovem funcionário municipal vai mobilizar exorcistas e até membros da “yakuza” para procurar tirar de lá o espectro. (Domingo, 15.40, Cinema São Jorge, sala Manoel de Oliveira)

TERROR ONÍRICO – “El Prófugo”, de Natalia Meta – Esta é a segunda longa-metragem realizada pela argentina Natalia Meta, autora, em 2014, de um inteligentíssimo policial, “Muerte en Bueno Aires”. Inés, uma atriz que faz dobragens e canta num coro em Buenos Aires, vive um episódio traumático durante uma viagem de lazer com o seu namorado. A partir daí, começa a ter muita dificuldade em dormir e a ser incomodada por pesadelos cada vez mais reais, bem como a ouvir estranhos sons que aprecem emanar de dentro dela. A grande Cecilia Roth surge no elenco de “El Prófugo”. (Terça-feira, 21.15, Cinema São Jorge, sala 3)

TERROR URBANO – “Candyman — O Assassino em Série”, de Bernard Rose – O Candyman do título deste filme de culto de 1992 é um assassino em série da mitologia urbana, que tem um gancho no lugar de uma mão, aparece rodeado por abelhas e é convocado se se disser o nome dele cinco vezes em frente a um espelho. O inglês Bernard Rose baseou-se num conto do seu compatriota Clive Barker e mudou a ação da história de Londres para Chicago, dando os principais papéis a Tony Todd e Virginia Madsen. Teve duas continuações, ambas com Todd na pele do Candyman, e um “remake” que se estreia este ano. (Sexta-feira, 21,30, Cinema São Jorge, sala 3).

TERROR ANIMAL – “Grizzly II: Revenge”, de André Szots – E aqui está a grande curiosidade deste MOTELX 2020. Rodado na Hungria em 1983 como continuação de “Grizzly: O Monstro da Floresta” (1976), de William Girdler, este filme sobre um urso gigante que ataca o público de um festival de rock que decorre num parque nacional americano, após caçadores furtivos lhe terem morto as crias, ficou inacabado por problemas de dinheiro, faltando as sequências com o urso. A produtora remontou recentemente este “grande mau filme” de terror animal, que apresenta a curiosidade de ter, em pequenos papéis, nomes como George Clooney, Laura Dern ou Charlie Sheen (morrem todos rapidamente, claro). (Sábado, 22.30, Cinema São Jorge, Sala 2).