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A Suécia tinha praticamente todos os jogadores na área, Portugal também colocou cinco a seis unidades em zona de finalização. Até aí, com 25 minutos jogados, a Suécia entrou melhor mas Danilo/Pepe tiveram a meias a melhor oportunidade para inaugurar o marcador. Na área, Ronaldo, que ainda não tinha aparecido muito no jogo, virou-se para Bruno Fernandes e disse apenas: “Olha para mim”. O médio do Manchester United olhou, marcou o canto e por pouco o avançado não fez o primeiro golo, com um desvio ao primeiro poste no meio de tantos escandinavos que Olsen conseguiu defender quase por instinto. Mais tarde, com a ponta do pé, o guarda-redes voltou a negar-lhe o golo com a bola a bater ainda na trave. Todavia, antes do intervalo, o inevitável chegou. De livre direto.

Ele não é o melhor do mundo, Ele é de outro mundo (a crónica do Suécia-Portugal)

“É um jogador com faro de golo e que a qualquer momento pode resolver o jogo. Fez um belo golo de livre, ainda ontem no treino fez seis ou sete iguais. É um jogador que faz a diferença. Claro que é bom contar com ele, porque é um jogador fenomenal e faz a diferença”, contou no final do encontro Bruno Fernandes, confirmando um daqueles “segredos” que só é segredo para quem não conhece o jogador da Juventus: se tem mais “sorte”, é porque trabalha para ela. E isso já tinha ficado também patente depois do jogo com a Croácia, quando se equipou no estádio do Dragão para ir fazer alguns sprints e começar a preparar a presença na Suécia nas devidas condições. Foi assim que se tornou apenas o segundo jogador na história das seleções a passar a barreira dos 100 golos, sendo que quase metade foram apontados com Fernando Santos no comando de Portugal. E foi assim que ficou mais perto de Ali Daei, o iraniano que tem 109 golos, mais oito do que o avançado. Até ver, claro.

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“Obviamente que a marca de 100, depois 101, com dois golaços… Estou muito feliz. O futuro só a Deus pertence. Sou um privilegiado de jogar neste lote de jogadores, o mister também já me conhece, não há palavras. Quando tive o problema no dedo, sabia que podia recuperar para este jogo. Gosto de estar aqui, com este grupo, com este treinador, com este staff. Sabia que no primeiro jogo ia correr tudo bem, a nossa equipa é muito boa. Queria bater a marca dos 100 golos. Recorde? Quero ir atrás mas os recordes não são uma obsessão, aparecem de forma natural…”, comentou na flash interview da RTP, com um sorriso de quem sabe para onde vai e deixa numa expressão aquilo que quer – e que seria um dos registos máximos mais difícil de bater nos anos seguintes.

Em paralelo, Ronaldo falou também as opiniões suecas sobre a possibilidade de Portugal ser melhor sem o seu capitão, recordando os cinco golos já apontados na Friends Arena mas lamentando a falta de público. “Não acompanhei as notícias, é uma opinião. Sabia que tinha deixado marca na última vez que joguei neste estádio, agora foi igual. Não ligo a provocações, o que tenho feito fala por si. Estádio vazio? Não há que lamentar, quando jogo fora gosto de ser assobiado porque dá-me pica… Mas a saúde está em primeiro lugar, se a OMS diz que não existem condições, é isso. O mais importante é o ser humano. Jogar sem adeptos é como ir ao circo e não ver palhaços, é como ir ao jardim e não ver flores mas espero que daqui a alguns meses mude”, referiu.

Numa noite em que a Suécia se tornou num dos adversários a quem Ronaldo marcou mais (sete golos, tantos como à Lituânia), o avançado apontou também o quinto golo em apenas três jogos na Liga das Nações, um deles de livre direto, o décimo na Seleção e o quinto desde 2017. Há nove anos que apenas o jogador da Juventus consegue marcar dois ou mais golos de Portugal. Os recordes continuam a multiplicar-se mas, a partir de agora, percebe-se que há um cada vez mais presente: chegar ao Ali Daei, um marco que o destacaria dos demais.