O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou nesta terça-feira a morte do jornalista Vicente Jorge Silva, considerando que foi uma personalidade marcante que mudou o panorama da comunicação social portuguesa. O jornalista e cineasta Vicente Jorge Silva, cofundador e primeiro diretor do jornal Público, morreu esta madrugada em Lisboa, aos 74 anos.

Numa nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, o chefe de Estado descreve-o como “das personalidades que marcam um percurso coletivo e marcam também a vida de todos os que se cruzam com elas”.

“O Presidente da República, que teve a honra de ser seu aluno em tantos instantes de vida partilhada e seu amigo e admirador sempre, recorda-o com inapagável saudade, mitigada pela sensação de que o seu testemunho continua presente como nunca, e expressa à família a solidariedade do companheiro de lutas comuns e a gratidão institucional, em nome dos portugueses”, escreve Marcelo Rebelo de Sousa.

Nesta nota, o chefe de Estado começa por realçar que Vicente Jorge Silva “marcou o percurso coletivo na luta pela democracia no Comércio do Funchal, fazendo de uma aventura de escassos meios uma força indomável”, observando: “Como ele – uma força indomável”.

Marcelo Rebelo de Sousa refere que o jornalista “marcou, depois, no Expresso, a transição e o caminho pós-democrático, com imaginação esfuziante, frontalidade total, humor inesgotável, e, sempre, uma inteligência e uma apetência cultural sem limites, que o fazia devorar livros e sonhar filmes e cultivar novos horizontes, ele que, no fundo, era um solitário que a vida não bafejou em momentos pessoais cruciais”.

Deu alma à cultura no Expresso e nele criou a Revista, obra de fôlego que deixou para lançar a sua terceira grande marca coletiva – o Público. No Público concretizou uma revolução na imprensa diária portuguesa, que se expandiria a todo o panorama jornalístico nacional. Ainda teve tempo para ser deputado, pioneiro de causas, polemista imparável, colunista lúcido e escritor de escritas dispersas”, acrescenta.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Vicente Jorge Silva, “em suma, mudou o panorama da comunicação social portuguesa”, com efeitos também na política portuguesa, “sobretudo entre os anos 60 e 90” do século passado. “Nesse percurso coletivo marcou a vida de todos os que consigo se cruzaram, amigos e admiradores tal como adversários. Ninguém lhe poderia ficar indiferente”, afirma o Presidente da República.

Vicente Jorge Silva nasceu no Funchal no dia 8 de novembro de 1945, numa família de fotógrafos. Era um apaixonado por cinema, e foi também realizador, mas dedicou-se sobretudo ao jornalismo. Destacou-se como criador de projetos inovadores e marcantes na imprensa escrita: o Comércio do Funchal, que relançou e dirigiu antes do 25 de Abril de 1974, a Revista do Expresso, que criou e dirigiu, e o Público.

No cinema, foi autor de “O Limite e as Horas” (1961), “O Discurso do Poder” (1976), “Vicente Fotógrafo” (1978), “Bicicleta – Ou o Tempo Que a Terra Esqueceu” (1979) e “A Ilha de Colombo (1997)” e “Porto Santo” (1997), exibido no Festival Internacional de Genebra. Teve uma curta passagem pela política partidária, como deputado eleito pelo PS, durante a liderança de Eduardo Ferro Rodrigues, entre 2002 e 2004. Neste período foi filiado no PS, mas considerou depois “um equívoco” esta experiência.