Alexandr Lukashenko, o homem que foi eleito presidente da Bielorrússia pela sexta vez consecutiva em agosto, tem tido vários adversários no meio de multidões que pedem eleições livre no país há semanas. Porém, uma opositora tem ganhado fama e o carinho especial da internet. Trata-se de Nina Bahinskaya, uma bisavó de 73 anos que impede a passagem de polícias que querem deter manifestantes, não deixa que nenhum lhe tire a sua bandeira e até impede que as autoridades detenham quem luta como ela.

[No Twitter têm sido partilhados vários vídeo de Bahinskaya a protestar]

Como conta o El País, Bahinskaya protesta desde os tempos da perestroika e, por causa disso, tem atualmente metade da sua pensão apreendida para pagamento de multas. Mesmo assim, e tendo dois filhos, dois netos e já um bisneto, a bielorrussa continua a fazer frente às autoridades que considera que condicionam a liberdade do seu povo.

[As ações de Bahinskaya permitiram, inclusive, que a polícia não prendesse ilegamente manifestantes]

Contudo, apesar de estar a ser um sucesso em redes sociais como o Twitter, Bahinskaya continua pouco ligada à internet. Não tem nem um smartphone nem um telemóvel. Para contactos, utiliza um telefone fixo que toca qual Powerpuff Hotline — o telefone que tocava para alertar as heroínas da série Powerpuff Girls — a avisar que há um protesto onde tem de estar. Com a bandeira da antiga República Popular da Bielorrússia — o símbolo que utiliza — em punho, Bahinskaya caminha para onde é chamada e o que não faltam é pessoas que lhe tiram fotografias e a recebem como uma estrela.

O maior protesto da Bielorrússia saiu à rua, mas Lukashenko diz que “nem morto” sai da presidência

Quanto mais pessoas estão nas ruas e quanto mais unidos estamos diante desses tiranos fascistas, menos vulneráveis ​​somos“, diz ao jornal espanhol a ativista. E lembra: “Manifestações pacíficas podem vencer se forem massivas”. “Lukashenko é uma marioneta pobre ao serviço de Moscovo, mas uma marioneta sangrenta”, acusa ainda. Ao longo do anos, Bahinskaya já foi presa várias vezes. Tantas que até diz não se lembrar da conta.

Quanto mais repressão e mais golpes, mais quero ajudar e conseguir uma Bielorrússia livre. Digo a mim mesma que sou uma mulher que já tem idade. Não tenho medo desses canalhas”

O primeiro protesto em que Bahinskaya participou foi em 1989, numa ação para relembrar a Estrada da Morte de Kurapaty onde a polícia secreta da União Soviética, a NKVD, matou dezenas de milhares de pessoas. Foi repreendida pela polícia mas não parou o ativismo político. “Chamam-me de nacionalista, talvez seja, mas apenas no sentido de que amo a minha nação, as minhas tradições, a minha cultura; a identidade bielorrussa”, defende.