O BE lamentou esta quinta-feira que, durante um tempo que classificou de “exigência política máxima”, tenha havido quem “ensaiasse dramatizações postiças para abrir crises políticas ainda mais postiças”, numa referência implícita ao primeiro-ministro.

Pela nossa parte, não desistimos de nada. Assumimos a máxima determinação para que os argumentos da justiça e da democracia vençam os argumentos do medo e do conformismo. E para que tenhamos factos que nos deem a alegria e o entusiasmo que a nossa gente tanto merece”, assegurou o deputado e vice-presidente da Assembleia da República José Manuel Pureza, no período de declarações políticas na reunião da Comissão Permanente do parlamentar.

O deputado defendeu que, em plena crise provocada pela pandemia, “o país tem mais com que se preocupar do que com sobressaltos políticos”.

A pandemia, o desemprego, a escola e o hospital a funcionar com segurança, o cuidado dos velhos, o desespero dos pequenos empresários, a aflição dos ameaçados de despejo — tudo isto desafia a um empenhamento firme e ousado para que as respostas justas possam ser realidade”, apelou.

Numa recente entrevista ao Expresso, António Costa reiterou a necessidade de um entendimento à esquerda para o horizonte da legislatura, e, a curto prazo, para o próximo Orçamento: “Se não houver acordo, é simples: não há Orçamento e há uma crise política. Aí estaremos a discutir qual é a data em que o Presidente terá de fazer o inevitável”, afirmou, dizendo ainda que “no dia em que a subsistência deste Governo depender de um acordo com o PSD, nesse dia este Governo acabou”.

“Quem quiser fugir ao esforço exigido, com o álibi de crises tão encenadas como vazias de substância, falha à sua responsabilidade”, avisou esta quinta-feira José Manuel Pureza.

Na sua declaração política, o deputado do BE defendeu que a pandemia de Covid-19 reforçou a importância do Serviço Nacional de Saúde (SNS) — destacando que esta quinta-feira se soube que grávidas com Covid são rejeitadas em hospitais privados — e da escola pública e alertou para o atual modelo dos lares.

Privados recusam partos e reencaminham grávidas infetadas com Covid-19 para o SNS

“Não é mais tolerável que o cuidado dos velhos fique entregue ao negócio ou ao amadorismo bem-intencionado. Precisamos de dar a máxima urgência ao cuidado domiciliário qualificado e a uma rede pública de cuidados”, disse.

José Manuel Pureza considerou ainda não ser “concebível qualquer hesitação na contratação dos tantos profissionais de saúde de que o SNS carece”, lembrando que tal promessa ficou escrita no Orçamento do Estado para este ano.

A escola e o hospital vão ser dois lugares de teste intenso à nossa capacidade de organização e de sentido coletivo, no tempo em que estamos a entrar”, alertou.

O deputado do BE defendeu, por outro lado, que a atual pandemia reforçou a necessidade de lutar pelos direitos laborais, defendendo que “o país precisa de aumento significativo, e não residual, do salário mínimo e de aumentos salariais que puxem pelo mercado interno”.