O primeiro-ministro, António Costa, sublinhou esta quinta-feira, na Córsega, a “solidariedade incondicional” manifestada pelos países do sul da União Europeia à Grécia e Chipre, no quadro da tensão no Mediterrâneo oriental, e disse esperar decisões no próximo Conselho Europeu.

É muito importante que aqui estejamos todos hoje [quinta-feira] a expressar a nossa solidariedade incondicional à Grécia e a Chipre, e é também da maior importância apoiar as iniciativas que o Alto Representante Josep Borrell e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, têm em mãos, de forma a que possamos chegar ao próximo Conselho Europeu, de 24 e 25 de setembro, em condições para tomarmos as decisões que tivermos de tomar”, declarou.

Costa falava numa conferência de imprensa conjunta com os restantes chefes de Estado e de Governo do Med-7, designação do fórum informal que reúne França, Itália, Espanha, Portugal, Grécia, Chipre e Malta, que se reuniu esta quinta-feira na baía de Ajaccio, na ilha francesa da Córsega, e que teve como tema central o conflito que opõe gregos e cipriotas à Turquia, por causa da exploração de hidrocarbonetos no Mediterrâneo oriental.

Defendendo que a UE deve tomar as decisões necessárias “para que, como disse o primeiro-ministro grego, a solidariedade não seja apenas uma palavra, mas seja algo efetivo”, Costa frisou igualmente a necessidade de privilegiar o diálogo para ultrapassar uma crise que, sublinhou, também não ajuda à retoma económica da crise provocada pela pandemia da Covid-19.

É também fundamental que o ambiente internacional seja um ambiente favorável à recuperação (…) E a multiplicação, à escala global, de diferentes crises geopolíticas no favorecerá a recuperação económica à escala global. É por isso fundamental apostar no diálogo”, sustentou.

Numa declaração conjunta esta quinta-feira adotada, os países do Med-7 “cerraram fileiras” em torno de Grécia e Chipre, condenando as “ações agressivas” da Turquia e a sua recusa em “responder aos repetidos apelos da UE para pôr fim às suas atividades unilaterais e ilegais no Mediterrâneo oriental e no Mar Egeu”, e advertem que, caso Ancara mantenha esta postura, a UE “está pronta a elaborar uma lista de medidas restritivas suplementares”, a serem analisadas no Conselho Europeu agendado para 24 e 25 de setembro em Bruxelas.

A concluir a sua intervenção numa conferência de imprensa sem direito a perguntas, António Costa lançou ainda uma “farpa” a países pouco solidários em matéria de migrações, outro tema central das reuniões do Med-7, e de forma implícita ao chamado Grupo de Visegrado (Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia).

A Europa é feita de várias regiões, e este conjunto de países da Europa do sul dá uma contribuição muito importante ao conjunto da UE. Não é um conjunto de países que se junta para dividir a União, é um conjunto de países que se junta para, em conjunto, dar mais força à União. É com esse espírito que aqui estamos e é com esse espírito que continuamos a trabalhar”, declarou.

Todos os líderes presentes expressaram também a sua solidariedade para com a Grécia na sequência do incêndio que devastou o campo de refugiados de Moria.