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O Bloco de Esquerda estava com saudades do palco. A rentrée bloquista está a ser feita de forma repartida, e nota-se na voz de quem esta noite subiu ao palanque para discursar que havia saudades do calor da casa cheia. Estava, de facto, calor na Casa do Alentejo, esta noite, em Lisboa, quando Catarina Martins subiu a um pequeno palco e, em jeito de TED Talks, com um ecrã grande ao fundo e um microfone na lapela, apresentou, uma por uma, as propostas do Bloco de Esquerda para “defender o emprego e o trabalho com direitos”. Uma espécie de caderno de encargos do BE para a fase que aí vem. E o que aí vem é uma fase de duras negociações sobre o Orçamento do Estado, por um lado, e de manuseamento de um grande envelope financeiro de Bruxelas que vai ser, de uma maneira ou de outra, aplicado às empresas e aos trabalhadores, por outro. Resta saber como. Para já, o BE avisa o governo de que não há desculpas: é preciso mexer nas leis do trabalho, que nos últimos anos “tornaram barato despedir”, e é preciso “dar um contrato de trabalho efetivo a todos os têm postos de trabalho”. E isto não é “teimosia”. É negociação.

“Vamos ouvir dizer muitas vezes que a legislação do trabalho não é tema do Orçamento do Estado, mas se estamos a discutir o Orçamento do Estado com soluções para sair da crise, é impossível não falar do trabalho. Porque é o salário que puxa pela economia, e é o emprego que protege o país. É por isso que é preciso travar os despedimentos a quem tem lucros, porque despedir não pode ser barato, pelo contrario, exige-se a responsabilidade social de manter o emprego. É por isso que os trabalhadores têm de ter direito a um contrato de trabalho, porque não haverá saída para a crise se essa saída não se centrar na resposta a quem trabalha”, disse perante uma plateia de bloquistas que, devido às regras da pandemia, se dividiu por duas salas. Antes de Catarina, já Mariana Mortágua e Isabel Pires tinham feito duas intervenções.

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