O PCP defendeu esta quinta-feira o regresso do ensino presencial no ano letivo que começa na próxima semana, apesar de algumas inquietações com falta de pessoal nas escolas para responder aos problemas levantados com a pandemia de Covid-19.

“O regresso ao ensino presencial é fundamental“, afirmou Jorge Pires, da comissão política do PCP, em conferência de imprensa, que fez um balanço crítico da experiência do ensino à distância a partir de março. Para o dirigente comunista, “se as escolas estiverem apetrechadas com os equipamentos necessários”, se “tiver um número de funcionários” suficiente, isso “pode resultar num funcionamento normal, dentro da normalidade possível”, sem que isso vá “resultar numa subida exponencial do número do número de casos” de infetados. “É possível regressar ao ensino presencial sem ter essa consequência do aumento exponencial do número de infetados”, sublinhou.

As medidas anunciadas pelo Ministério da Educação não deixam o PCP tranquilo, “nem aos docentes, aos auxiliares, técnicos especializados, os pais e os estudantes”, admitiu.   Se não forem criadas “condições de segurança” nas escolas e “fatores de confiança nos pais, nos alunos, nos professores, nos trabalhadores da educação, tudo isto vai ser mais complicado”. Para o PCP, o “regresso ao ensino presencial é possível, como decisivo para normalizar o processo ensino/aprendizagem e recuperar os atrasos provocados pelas medidas de exceção, adotadas em março passado, mas exige a adoção de medidas rigorosas que garantam todos as normas de segurança para proteger a saúde dos estudantes, dos professores e todos os profissionais da educação”.

Esse regresso ao ensino presencial “é a garantia de que nenhum aluno ficará condicionado no acompanhamento da matéria lecionada, ao contrário do que aconteceu com uma percentagem muito significativa no ano letivo anterior”. “O papel dos professores na sala de aula é imprescindível no acompanhamento dos alunos”, sublinhou Jorge Pires.

O ano letivo 2020/21 começa na próxima semana em todo o país, numa altura em que aumentaram os casos de infeção de Covid-19 em Portugal.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 900 mil mortos e infetou mais de 27,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.849 pessoas das 61.541 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.