Martin Winterkorn e outros quatro executivos do Grupo Volkswagen vão ser finalmente julgados pelo papel que desempenharam durante o escândalo do Dieselgate, em que algumas marcas do conglomerado alemão instalaram dispositivos para ludibriar os reguladores, manipulando os dados relativos aos consumos e emissões durante os testes para homologação. A acusação foi formalizada há cerca de um ano, mas o tribunal de Brunswick decidiu alterar a acusação. De acordo com a Automotive News, em vez de apenas responderem pela instalação dos dispositivos de manipulação, os cinco acusados vão agora responder por terem agido como um gangue criminoso.

Winterkorn foi CEO do Grupo Volkswagen entre 2007 e 2015, ou seja, foi ele quem liderou a gigantesca empresa alemã durante todo o período do Dieselgate. Porém, sempre alegou desconhecer tudo e não fazer ideia de nada. Apesar da justiça alemã e norte-americana não acreditarem no gestor, as provas do escândalo que rebentou em Setembro de 2015 só surgiram quando se soube que, em Julho desse ano, numa reunião presidida por Winterkorn, foi ordenado a Oliver Schmidt que mentisse aos reguladores. Mais grave, foram encontrados documentos e reunidos testemunhos que provaram que o ex-CEO conhecia o problema desde, no mínimo, Maio de 2014.

O grupo germânico que dirigiu afirmou sempre que Winterkorn desconhecia a fraude, isto embora o caso tenha implicado à empresa danos reputacionais e custos directos na ordem dos 30 mil milhões de euros.

Apesar de aguardada há muito, a decisão de avançar para julgamento considerando os executivos membros de um “gangue criminoso” deixou os especialistas incrédulos. Além disso, a teoria do gangue levanta novas questões, pois se os executivos agiram como tal, então quem será o cabecilha desse bando de criminosos? E quem ganhou verdadeiramente com a montagem dos dispositivos que manipulavam as emissões em 9 milhões de veículos, os cinco executivos?