O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, defendeu esta terça-feira, durante uma visita à Grécia, que a União Europeia (UE) deve encontrar, em conjunto, uma “resposta justa, forte e eficaz” para a questão das migrações.

“A questão migratória é um desafio para a UE, e não apenas para os Estados-membros que estão na linha da frente. Precisamos de encontrar a capacidade, no conjunto dos Estados-membros, de alcançarmos uma resposta que seja justa, forte e eficaz”, declarou, numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro grego, em Atenas.

Segundo o presidente do Conselho Europeu, os 27 devem encontrar formas de “fazer recuar a imigração ilegal e garantir uma maior convergência nos sistemas de acolhimento de migrantes e de requerentes de asilo”.

“Teremos ocasião de prosseguir o debate para uma resposta europeia com base na proposta que a Comissão Europeia vai apresentar até final do mês”, disse, referindo-se à proposta de um Pacto Migratório que o executivo comunitário liderado por Ursula von der Leyen já se comprometeu a apresentar ainda no corrente mês de setembro.

Charles Michel indicou que à tarde vai deslocar-se, acompanhado por membros do Governo grego, à ilha de Lesbos. “quero ver com os meus próprios olhos a realidade com que estamos confrontados”, justificou.

Na semana passada, o campo de migrantes de Moria, em Lesbos, o maior da Europa, inaugurado há cinco anos no auge da crise migratória, foi totalmente destruído por incêndios, deixando os seus 12.000 ocupantes desabrigados.

Cerca de 800 migrantes, entre os milhares que ficaram desabrigados após o incêndio no campo de Moria, foram instalados no centro temporário erguido de urgência pelas autoridades gregas na ilha de Lesbos, informou o Ministério das Migrações grego.

A maioria das pessoas que ficou desabrigada dorme nas ruas, calçadas, campos ou em prédios abandonados. Os migrantes recusam-se a ir para o novo acampamento criado nas proximidades de Moria, temendo não poderem deixar a ilha uma vez lá dentro.

O campo de Moria foi criado em 2015 para limitar o número de migrantes provenientes da vizinha Turquia para a Europa.

Mais de 12.000 pessoas viviam no campo, incluindo 4.000 crianças.