O BE criticou esta quarta-feira o Governo por não ter feito tudo o que podia para preparar o ano letivo, considerando que ignorou problemas estruturais como o material informático, falta de professores e funcionários e diminuição de alunos por turma.

Nas declarações políticas desta quarta-feira, os bloquistas escolheram o tema da abertura do ano letivo para a sua intervenção, um debate no qual o PS ficou sozinho a defender a ação do Governo.

Preparar o ano letivo não é correr atrás do prejuízo a contar que as escolas façam muito com pouco. O Governo não fez tudo o que podia”, condenou a deputada do BE Joana Mortágua.

A bloquista considerou que “se as aulas começam esta semana com segurança é porque o país confia na escola pública”, mas avisou que o futuro dessa confiança “também vai depender de o Governo fazer a sua parte”.

Joana Mortágua elencou os problemas estruturais que acusa o Ministério da Educação de ter ignorado e que considera que “ainda pode ser feito” como a falta de equipamento informático nas escolas, a diminuição do número de alunos por turma, o atraso no rejuvenescimento da classe docente e mesmo a falta de professores “em 600 escolas”.

A escola pública precisa de sangue novo, precisa de futuro. De contratar funcionários. Há sete meses que a portaria de rácios está por rever de acordo com a proposta do BE aprovada em Orçamento do Estado”, condenou.

Nos pedidos de esclarecimento, a deputada do PSD Cláudia André acusou o “Governo, o primeiro-ministro e o senhor ministro da Educação de não acompanharem as suas ações com aquilo que anunciam na comunicação social” em casos como os computadores, assistentes operacionais, alunos em risco, professores em risco e transportes escolares.

O PSD calcorreou todo o país e percebemos que se não fosse o trabalho das escolas não sei se seria possível as aulas começarem”, apontou a social-democrata.

Também a deputada do CDS-PP Ana Rita Bessa criticou as falhas do Governo socialista, bem como a deputada Paula Santos, do PCP, que saudou a importância do regresso do ensino presencial, mas considerou prioritária a contração de auxiliares de ação educativa.

Mariana Silva, do PEV, elencou “muitas dúvidas em resposta” e pediu “mais meios e mais investimento para que não se instale uma desigualdade de condições” entre escolas e alunos.

Foi a Tiago Estevão Martins, do PS, a quem coube defender a ação do Governo e do Ministério da Educação, considerando que “o regresso ao ensino presencial está a iniciar-se da forma mais tranquila possível” e que “há mais recursos, mais professores e mais técnicos”.