As agências de notícias portuguesa, Lusa, e espanhola, Efe, defenderam querer “participar ativamente” no plano de ação para a democracia europeia, já que são “o último garante” da informação livre e a desinformação está a corroer as democracias.

“As agências de notícias de Portugal, Lusa, e de Espanha, Efe, vêm manifestar a sua firme intenção de participarem ativamente no European Democracy Action Plan [Plano de Ação para a Democracia Europeia], que a Comissão Europeia pretende apresentar até ao final de 2020”, referem, numa carta conjunta enviada às instituições europeias em Bruxelas, assinada pelo presidente da Lusa, Nicolau Santos, e pela sua homóloga na Efe, Gabriela Cañas.

As agências explicam a posição com a necessidade de combater a desinformação e manipulação de notícias que constituem “um cancro que corrói as democracias pluripartidárias — e que, para atingir esse objetivo, pretende descredibilizar os media tradicionais”. Essa desinformação “é produzida por aqueles que são inimigos de uma informação plural e diversificada produzida pelos media tradicionais”, alertam as administrações das duas empresas. Uma situação que criou uma crise nos media europeus, sendo que “as agências de notícias são o último garante e o mais fiável de uma informação livre, independente, rigorosa, isenta e atempada”, defendem.

Na carta enviada a Bruxelas, a Lusa e a Efe lembram que são “cada vez mais frequentes” as manifestações de “autoritarismo, xenofobia, racismo, discriminação, egoísmos nacionais e falta de solidariedade”, cenário que evoluiu “a par da crise dos media tradicionais”. Por isso, consideram os responsáveis das duas agências, “a crise dos media não pode ser tratada como uma mera questão dos mercados e do jogo da oferta e da procura”, tendo antes de ser vista “como uma questão essencial para a saúde das democracias e um dos seus pilares fundamentais”.

As agências de notícias “contribuem diariamente e de forma significativa para minorar as dificuldades de redações cada vez mais reduzidas” e “devem ser contempladas no plano europeu de ajuda aos media”, afirmam. As duas agências lembram que têm “um histórico de trabalho conjunto bem-sucedido em várias iniciativas promovidas pela Comissão Europeia” e que têm “consciência da sua importância e complementaridade noticiosa na Península Ibérica, onde a crise dos media é particularmente dura”.

Por isso, concluem, a Lusa e a Efe saúdam o plano de ação europeu que está a ser desenvolvido e manifestam o seu “firme propósito em darem o seu contributo através da experiência acumulada em várias décadas ao serviço de uma informação isenta, rigorosa, livre e independente”.