Economistas da Organização das Nações Unidas declaram, num relatório divulgado esta quinta-feira, que as alterações climáticas, a par da degradação da natureza, as desigualdades, mudanças populacionais, urbanização e revolução tecnológica são as “megatendências” que podem minar a sustentabilidade do planeta.

O relatório, “Moldando as Tendências do Nosso Tempo”, conclui que, “após cinco anos de implementação da Agenda de Desenvolvimento Sustentável, o progresso já está fora do caminho e, em muitos casos, pode até ter sido revertido pela crise Covid-19“.

A Rede de Economistas da ONU, que produziu o relatório, afirma que as “megatendências” são criadas por humanos e “vão continuar a frustrar os esforços globais para um mundo mais sustentável e próspero”, a menos que se tomem medidas imediatas e “políticas de intervenção urgentes”, pode ler-se num comunicado de imprensa divulgado esta quinta-feira.

Segundo o relatório, as cinco “megatendências” estão e vão influenciar o curso de todo o século XXI: alterações climáticas e degradação da natureza; desigualdades; urbanização; rápidas mudanças populacionais; e revolução tecnológica.

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No entanto, os impactos “positivos ou negativos” só poderão ser avaliados de acordo com as “políticas implementadas hoje”, dizem os autores do relatório.

Ingre Andersen, diretora executivo do Programa Ambiental da ONU (UNEP, na sigla em inglês), declarou que a “destruição contínua de ecossistemas, biodiversidade e vida selvagem tem consequências claras no desenvolvimento económico global. A pandemia Covid-19 é uma das manifestações mais graves dessas consequências na história recente”.

A Rede de Economistas da ONU também declara que “a inovação tecnológica e a digitalização têm acentuado claramente as desigualdades de rendimento, especialmente na época do estudo online e do trabalho remoto”.

Com um historial de várias décadas, “as megatendências não podem ser facilmente desfeitas ou alteradas de forma significativa no prazo imediato” avisou Liu Zhenmin, chefe do Departamento de Assuntos Económicos e Sociais da ONU, mas acrescentou que “podem ser moldadas ao longo do tempo por políticas consistentes”.

O documento deixa um apelo para uma nova forma “holística de fazer políticas” a tempo do início da semana de alto nível da Assembleia-Geral da ONU, que este ano se vai realizar maioritariamente de maneira virtual, mas onde todos os 193 Estados-membros são representados por delegações para discutir diplomacia internacional, políticas do futuro e cooperação multilateral.

Segundo os investigadores, as políticas e medidas podem ser dirigidas para responder a uma “megatendência”, mas chegar a ter influência indireta noutros desafios.

O relatório defende uma “maior cooperação em áreas aparentemente não relacionadas, como digitalização, planeamento urbano e produção de energia, tradicionalmente abordadas de forma isolada”.

Por exemplo, a tendência de alterações populacionais preocupa os especialistas principalmente devido ao envelhecimento da população, que pode vir a ser um travão à “inovação, produtividade e dinamismo macroeconómico”.

Por outro lado, o desaceleramento do crescimento da população pode também apoiar a igualdade de género: “a diminuição associada nas taxas de fertilidade pode apoiar uma maior igualdade de género, já que as mulheres passam menos tempo das suas vidas em funções de procriação e cuidado dos filhos”, sustentam os autores do relatório.

A urbanização pode também aumentar o uso da tecnologia:” a urbanização reúne todos os fatores necessários para a inovação tecnológica e ganhos de produtividade”.

Os economistas defendem que os centros urbanos podem ser alvo de planeamento e controlo mais adequado da emissão de gases com efeito de estufa e produção de resíduos, com vista a “superar os danos ao meio ambiente e contribuir para a equidade e a sustentabilidade”.

As alterações climáticas também se associam às outras “megatendências”, pois podem causar migrações rurais e urbanas “deslocando centenas de milhões de pessoas das áreas costeiras e das terras atingidas pela seca”.