Saem seis, entram cinco. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, deu esta quinta-feira posse aos novos secretários de Estado, que vão assumir pastas em ministérios que vão da Saúde à Habitação, passando também pela Educação.

Esta é a segunda remodelação desde que o segundo Governo liderado por António Costa tomou posse, em outubro de 2019. A primeira remodelação aconteceu em junho deste ano, altura em que Mário Centeno deixou o cargo de ministro das Finanças e passou a pasta a João Leão.

Entre os cinco novos membros do executivo, é comum um percurso ou dentro do PS ou a partir de diferentes governos socialistas. Conheça aqui o perfil dos cinco novos secretários de Estado — e um sexto,

já o era mas que agora é promovido.

António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde

António Lacerda Sales (1962, Leiria) é exonerado do cargo de secretário de Estado da Saúde e nomeado para o degrau acima: secretário de de Estado Adjunto e da Saúde. Passa assim a ser o número dois de Marta Temido. Substitui assim Jamila Madeira, que sai em rutura com a ministra da Saúde, Marta Temido.

Tornou-se numa cara conhecida no país ao assumir várias conferências de imprensa conjuntas da DGS com o Ministério da Saúde. A 3 de agosto, primeiro dia sem mortes desde que foi registada a primeira vítima mortal por Covid-19 em Portugal, emocionou-se.

Médico ortopedista, foi deputado eleito pelo PS entre 2015 e 2019.

Diogo Serras Lopes, secretário de Estado da Saúde

Diogo Serras Lopes (1975, Lisboa) assume o cargo de secretário de Estado da Saúde. Trabalha de perto com o primeiro-ministro desde dezembro de 2015, altura em que era adjunto de Mariana Vieira da Silva, à altura secretária de Estado Adjunta de António Costa. Desse cargo, transitou para o de assessor económico do primeiro-ministro em agosto de 2017. Em abril de 2019, é nomeado vice-presidente do Conselho Diretivo da Administração Central do Sistema de Saúde — o único cargo do seu currículo público onde consta alguma ligação à área que agora vai assumir.

Antes da administração pública, Diogo Serras Lopes teve uma passagem pela banca e pelo mundo financeiro: MC Fundos, Santander e Best.

Teresa Coelho, secretária de Estado das Pescas

Teresa Coelho, natural da Nazaré, assume a Secretaria de Estado das Pescas, sucedendo a José Apolinário. Foi até aqui presidente do Conselho de Administração da Docapesca (empresa pública de gestão do setor das pescas), cargo para o qual tomou posse a maio de 2016.

Antes disso, teve um percurso com várias passagens por gabinetes ministeriais socialistas. Esteve, sempre como adjunta, na secretaria de Estado das Pescas entre 1996 e 2002 (governos de António Guterres), passou pelas secretarias de Estado da Administração Interna e da Proteção civil entre 2005 e 2008 e também pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural e das Florestas em 2009 (ambas em governos de José Sócrates).

Inês Ramires, secretária de Estado da Educação

Inês Ramires (1980, Aveiro) será a próxima secretária de Estado da Educação. A sua chegada ao Ministério da Educação vem de antes: no Governo anterior, já tinha exercido funções de chefe de gabinete do ministro da Educação, Tiago Brandão Henriques.

Formada em Direito (com mestrado em Direito Público na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa), teve outra passagem pela administração pública durante governos socialistas, de acordo com o seu currículo público.

Entre 2006 e 2008, altura do primeiro mandato do Governo de José Sócrates, esteve na Presidência do Conselho de Ministros (PCM) — primeiro como consultora jurídica e depois como adjunta do gabinete do Secretário de Estado da PCM. Dali, transitou para o cargo de adjunta e assessora do gabinete do secretário de Estado da Administração Pública (da tutela do Ministério das Finanças) — onde esteve desde julho de 2008 até junho de 2011, quando terminou o segundo Governo de José Sócrates.

Dali, transitou para a única função no setor privado que destaca no seu currículo: o de consultora jurídica na BAS – Sociedade de Advogados. Esteve ali entre agosto de 2011 e novembro de 2015. Nesse mesmo mês, voltou à administração pública, para ser chefe de gabinete de Tiago Brandão Rodrigues, onde esteve até outubro de 2019, mês em que terminou o primeiro mandato do Governo de António Costa.

Marina Gonçalves, secretária de Estado da Habitação

Marina Gonçalves (1988, Caminha), que desde o início desta legislatura esteve na Assembleia da República como deputada pelo PS (de cuja bancada era vice-presidente por proposta de Ana Catarina Mendes), chega agora ao cargo de secretária de Estado da Habitação. Será um reencontro com o ministro das Infrastruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, de quem já tinha sido adjunta e chefe de gabinete, na anterior legislatura, na Secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares.

Ainda antes de exercer funções junto dos governos socialistas, Marina Gonçalves trabalhou com o grupo parlamentar do PS entre novembro 2011 e 2015. Naqueles anos em que o PS era o maior partido de oposição ao Governo de Pedro Passos Coelho, Marina Gonçalves foi assessora jurídica da bancada socialista.

Hugo Santos Mendes, secretário de Estado Adjunto e das Comunicações

Hugo Santos Mendes (1976, Porto) é outro membro do clã de Pedro Nuno Santos que o ministro chama para o seu ministério. Aos 44 anos, Hugo Santos Mendes, formado em sociologia, assume o cargo de secretário de Estado Adjunto e das Comunicações.

Também Hugo Santos Mendes tem trabalhado ao longo dos anos junto de diferentes políticos e governos socialistas. Entre 2006 e 2009, foi assessor político da então ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Entre 2009 e 2011, esteve mais próximo de José Sócrates: foi assessor político no gabinete do secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, José Almeida Ribeiro.

Com a passagem do PS para a oposição, foi escolhido para assessor do grupo parlamentar socialista na comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública. Exerceu essas funções entre 2011 e 2015. Pelo meio foi co-autor do livro “A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes” e também do blogue Jugular.

Com o regresso do Partido Socialista ao Governo em 2009, Hugo Santos Mendes regressou àqueles mesmos corredores. Logo no início da “geringonça”, em novembro de 2015, foi assessor político do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, de quem foi mais tarde nomeado como adjunto. Quando, no segundo mandato de António Costa, Pedro Nuno Santos subiu a ministro das Infrastruturas e da Habitação, Hugo Santos Mendes passou a ser seu chefe de gabinete.