A presidente da mesa da assembleia do conselho regional norte da Ordem dos Médicos (Ormed) de Angola disse esta sexta-feira que o órgão “tem legitimidade” para convocar a assembleia geral “para lavagem da roupa” e “conferir dignidade” à instituição.

A assembleia geral extraordinária, convocada para 17 de outubro próximo (e não 17 de setembro como a Lusa noticiou anteriormente), tem como ponto único a “destituição da bastonária” da Ormed, Elisa Gaspar, acusada de má gestão e desvio de fundos da instituição.

Arlete Nangassole Tomás Luyele afirmou esta sexta-feira, em entrevista à Lusa, que a atual gestão da Ordem “está marcada por inconformidades muito graves”, incluindo acusações de caráter financeiro, que prefere remeter aos órgãos competentes, e “problemas internos candentes” devido à vacatura do plenário dos conselhos regionais.

Existem inconformidades muito graves, mas por uma questão de ética faço valer o ditado que diz que roupa suja se lava em casa. Nós temos muita roupa suja por lavar e o local certo para esta lavagem será na assembleia geral do dia 17 de outubro”, notou.

A responsável quis também deixar claro que “não é a presidente do conselho regional que pretende a destituição da bastonária, a destituição ou não é da livre vontade dos associados”.

A presidente da mesa da assembleia do conselho regional norte da Ormed, que diz existir “muito tumulto à sua volta” garante que não é responsável pela destituição da bastonária e apelou ainda à salvaguarda da sua integridade física no decurso deste processo.

Já passamos por experiências amargas e aproveito para deixar um apelo para a minha integridade física durante o processo em curso. Este processo é pacífico e vamos supervisionar até ao fim com vista à devolver a dignidade à Ormed”, concluiu.

Quanto à convocatória da assembleia pelo conselho regional norte da Ormed, anunciada na quarta-feira, resulta da “vacatura” do plenário dos conselhos regionais e das assembleias provinciais da Ormed, indicou Arlete Luyele.

O conselho regional norte da Ordem dos Médicos de Angola compreende as províncias de Luanda, Bengo, Zaire, Uíje e Cabinda.

Segundo a médica, a Ordem está a funcionar atualmente apenas com duas assembleias regionais, nomeadamente os conselhos regionais sul e norte que abarca 70% dos médicos inscritos na Ormed.

A inexistência do plenário dos conselhos regionais “faz com que recaia a responsabilidade à mesa da assembleia dos conselhos regionais (…) que tem a obrigação e legitimidade de convocação da assembleia geral com a prerrogativa legal”, explicou.

Estatutariamente, frisou, o médico “deve defender o bom nome e o prestígio da Ordem e é o que estamos a fazer, agir solidariamente em defesa de todos os interesses coletivos”, insistiu.

E prosseguiu: “no fundo, nós estamos a seguir os estatutos e a mesa regional está apenas a formalizar o processo (…) e pretende simplesmente devolver a dignidade à ordem e a bastonária”.

Elisa Gaspar, há mais de um ano no cargo de bastonária da Ormed, é acusada de “descaminho de fundos e gestão danosa” da instituição entre os quais um alegado desvio de 19 milhões de kwanzas (256 mil euros) e de “outros gastos injustificados”. As denúncias de alegados desvios de verbas, atribuídos à bastonária da Ordem dos Médicos Angolanos, foram apresentadas recentemente pelo ex-chefe do seu gabinete, Domingos Kiala Cristóvão.

Contudo, a médica Elisa Gaspar negou as acusações tendo “minimizado as denúncias”.

Num comunicado, divulgado na terça-feira, o conselho fiscal regional norte da Ordem dos Médicos de Angola pediu uma auditoria externa às contas da ordem profissional por alegados “descaminho de fundos, várias irregularidades e gestão danosa” imputados à médica Elisa Gaspar.

Segundo o conselho fiscal, a necessidade de uma auditoria externa às contas da Ordem é fruto de diversas acusações e denúncias públicas, entre os quais extratos de relatórios de auditoria feita às contas Ormed pela Inspeção Geral das Finanças (IGF) de Angola.

A aquisição de produtos diversos para uso doméstico e familiar, com recurso ao cartão de crédito/débito, conhecido como cartão multicaixa, da Ordem são apontados como irregularidades que terão sido praticadas pela bastonária.