O bispo de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira, de 74 anos, morreu esta sexta-feira na sequência do despiste do automóvel que conduzia na Autoestrada 2 (A2) perto de Almodôvar, no distrito de Beja, disse à Lusa fonte da diocese. A mesma fonte lamentou à morte inesperada de bispo.

Horas mais tarde, o colégio de consultores da diocese de Viana do Castelo elegeu o monsenhor Sebastião Pires Ferreira como administrador diocesano. “Em conformidade com as normas do Código de Direito Canónico (…) decidiu o colégio de consultores da diocese de Viana do Castelo eleger como administrador diocesano (…) monsenhor Sebastião Pires Ferreira, que comunicou ao Núncio Apostólico em Portugal, Ivo Scapolo, a aceitação das funções para as quais foi eleito”, lê-se numa nota à imprensa da diocese.

Contactada pela Lusa, fonte do secretariado diocesano para a comunicação social explicou que o até agora vigário-geral, de 76 anos de idade, “foi eleito, interinamente, para assumir o governo da diocese até à nomeação, pelo Papa Francisco, do novo bispo de Viana do Castelo”. A mesma fonte adiantou que o colégio de consultores vai reunir-se no sábado, para preparar as cerimónias fúnebres. Na nota enviada à imprensa, a diocese “agradece as inúmeras manifestações de solidariedade e condolências”.

Anacleto Oliveira celebrou, em agosto, 50 anos de ordenação e 10 anos como bispo de Viana do Castelo.

Fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Beja disse à Lusa que o alerta para o acidente foi dado às 11h29. Fonte da GNR indicou que o óbito foi declarado no local, tendo o corpo sido encaminhado para o serviço de Medicina Legal do hospital de Beja, e que o homem era o único ocupante do veículo ligeiro de passageiros.

Segundo a mesma fonte, o acidente ocorreu ao quilómetro 200 da A2, no sentido sul-norte, entre São Bartolomeu de Messines e Almodôvar.

Foram mobilizados, de acordo com o CDOS, bombeiros e veículos das corporações de Almodôvar e São Bartolomeu de Messines, uma viatura médica de emergência e reanimação (VMER) de Albufeira e elementos da Brisa, além da GNR, num total de 16 elementos, apoiados por seis viaturas. O acidente já havia sido referido à Lusa pela GNR, mas sem aludir ao facto de a vítima mortal ser o clérigo.

Câmara decreta dois dias de luto municipal pela morte de bispo de Viana do Castelo

A Câmara municipal decretou dois dias de luto municipal pela morte do bispo Anacleto Oliveira. Em comunicado esta sexta-feira enviado às redações, a autarquia refere ter sido “com consternação e pesar” que o presidente da Câmara tomou conhecimento do “trágico acidente que vitimou D. Anacleto Oliveira”.

Trata-se de uma grande perda para a diocese de Viana do Castelo, mas também a perda de uma personalidade afável, dialogante e profundamente interessada na vida das populações do Alto Minho”, sublinha a nota.

O município destaca ainda “a atividade pastoral desenvolvida por D. Anacleto com a publicação de muitos textos, reflexões e cartas pastorais de grande profundidade teológica e de profundo sentido pastoral”.

“Foi também um paladino discreto, mas muito ativo, na prossecução dos trabalhos que levaram à beatificação de São Bartolomeu dos Mártires, um processo complexo e de grande exigência, pelo que o Alto Minho, a Diocese e o País muito lhe devem”, destaca a nota.

Diocese de Viana do Castelo apela à oração e serenidade dos fiéis após morte de bispo

A diocese de Viana do Castelo apelou à “oração reforçada” e à “serenidade e tranquilidade” dos fiéis na sequência da morte do bispo.

“As circunstâncias excecionais que nos envolvem aconselham-nos (…) a uma oração reforçada, assim como à serenidade e tranquilidade próprias de quem coloca o seu coração no Senhor”, refere um comunicado esta sexta-feira enviado às redações pela diocese da capital do Alto Minho.

Conferência Episcopal lamenta perda de “mente aberta e esclarecida”

Em comunicado, a Conferência Episcopal Portuguesa refere que recebeu com “grande tristeza” a “inesperada notícia” da morte de Anacleto de Oliveira.

Eram conhecidas as competências de D. Anacleto como biblista e homem de cultura, constantemente atento às realidades concretas da nossa sociedade, extremamente dedicado aos sacerdotes e aos fiéis que servia pastoralmente, sempre solícito nas ações comuns da Igreja em Portugal”, afirma o comunicado da CEP, que recorda o percurso do bispo de Viana do Castelo neste organismo ao longo de 15 anos como bispo.

Anacleto de Oliveira presidia à Comissão de Tradução da Bíblia para português a partir dos textos originais e, desde junho passado, era presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade.

Em declarações à Ecclesia, o presidente da CEP e bispo de Setúbal, José Ornelas, afirmou que recebeu com choque a morte de “um grande bispo e um grande amigo”, deixando uma nota de gratidão pelo seu “trabalho muito fecundo na diocese e na Igreja portuguesa”.

Quero manifestar à família e à Igreja de Viana do Castelo, a que ele presidia, as nossas condolências e a solidariedade da Igreja portuguesa”, disse o presidente da CEP.

Também em declarações à Ecclesia, o cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, manifestou “tristíssima surpresa” pela morte do bispo de Viana do Castelo, elogiando o “seu trabalho, quer na diocese quer na Conferência [Episcopal], concretamente no âmbito da Liturgia, um trabalho sempre incansável, exigente, meticuloso, generoso”.

Notícia atualizada às 23h53 com nomeação do monsenhor Sebastião Pires Ferreira.