Dióxido de cloro, um desinfetante industrial, está a ser vendido nas páginas da Amazon e quem compra acredita que se trata de uma cura para a Covid-19, entre outras doenças — a substância é até conhecida uma “Solução Mineral Milagrosa” (MMS, na sigla em inglês). Tal acontece apesar dos sucessivos avisos feitos pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA) de que o líquido em questão pode ser fatal.

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As soluções à base de dióxido de cloro, escreve o The Guardian, estão a ser comercializadas por vendedores independentes naquela plataforma com os nomes CD KIT e NatriChlor — a substância é sinalizada como um “tratamento de água”, sendo que os produtos em causa incluem descrições legais de como o líquido “não é comercializado para uso interno”. Ainda assim, sinaliza o jornal britânico, há comentários de utilizadores na Amazon que falam sobre quantas gotas da substância estão a absorver, afirmando até que ingerem o químico que acreditam ser uma “Solução Mineral Milagrosa” para se “desinfetarem”.

Trump sugeriu a injeção de desinfetante para “limpar os pulmões”. Agora diz que era sarcasmo

Em abril, o presidente dos Estados Unidos da América sugeriu a injeção de desinfetante numa pessoa infetada e o uso de raios ultravioleta como forma de eliminar a Covid-19, limpando os pulmões. A sugestão chocou a comunidade científica, que a classificou como “irresponsável e perigosa”. Pouco depois, Trump garantiu que as suas declarações foram “sarcásticas”.

A substância a ser vendida na Amazon é tipicamente usada em processos industriais, incluindo o fabrico de têxteis ou o branqueamento de papel. O jornal já citado acrescenta que, em pequenas doses, pode desinfetar a água. Ainda assim, as concentrações defendidas por quem vende este produto enquanto uma “Solução Mineral Milagrosa” não são consideráveis saudáveis.

Desde o início da pandemia, que a FDA tenta reprimir vendedores de remédio fraudulentos, alegadamente capazes de proteger as pessoas contra o novo coronavírus. A Associação Americana de Centros de Controle de Envenenamentos já registou mais de 16 mil casos associados ao uso de dióxido de cloro, incluindo 2.500 casos de crianças menores de 12 anos — muitas das pessoas sofreram efeitos colaterais graves.