O líder do Bloco de Esquerda (BE) nos Açores defendeu neste domingo uma região “mais transparente” e uma “administração pública despartidarizada”, advogando que a mistura entre partidos e administração “prolonga-se aos dirigentes máximos” do PS, que governa o arquipélago.

“É inexplicável que a autoridade de saúde regional, em plena pandemia, seja candidato pelo PS, aceite, e isso seja considerado normal”, declarou António Lima, falando em Ponta Delgada, na Conferência Eleitoral do BE com vista às eleições na região, marcadas para 25 de outubro.

O candidato, que é o número um do Bloco por São Miguel, referia-se a Tiago Lopes, diretor regional do executivo socialista, responsável maior da Autoridade de Saúde dos Açores e candidato pelo PS pelo círculo da ilha Terceira, por onde concorre em segundo lugar.

“Esta mistura, ainda para mais em tempo de pandemia, é inaceitável e não gera confiança nas decisões tomadas. Basta lembrar algumas das decisões contraditórias e sem critério do período de desconfinamento. É preciso despartidarizar a Direção Regional da Saúde”, declarou António Lima.

Para o coordenador do BE nos Açores, a pandemia representa um “momento inédito” na vida de todos e trará “uma enorme crise económica e social”.

“Na resposta à crise provocada pela pandemia sempre dissemos que ninguém pode ficar para trás. Mas a verdade é que muitos açorianos e açorianas têm ficado para trás”, prosseguiu.

A pandemia “veio por a nu as enormes fragilidades do Serviço Regional de Saúde”, e o BE, sobre este campo, pretende conhecer os números da retoma médica, a nível de consultas, listas de espera ou operações, por exemplo.

“Vasco Cordeiro apenas diz que é preciso retomar a atividade [médica]. Mas disso ninguém duvida. É preciso conhecer os números dessa retoma. Exige-se um calendário e metas definidas. A verdade é que nada disto existe. Ou se existe é escondido dos açorianos e açorianas”, declarou António Lima.

O Bloco propõe para as eleições deste ano “um subsídio de insularidade para todos os médicos na região” de modo a permitir a colocação de mais profissionais e a estabilidade dos quadros.

A “situação dramática” da transportadora aérea açoriana SATA foi também assinalada pelo dirigente partidário, que voltou a definir como “inaceitável” que o executivo regional “teime em esconder o plano de reestruturação” da empresa “até depois das eleições.

Também o mar açoriano foi valorizado por António Lima como um “caminho para uma nova economia nos Açores”, uma economia “com uma alavanca que é o mar e o conhecimento”.

Desde 2004, afiançou, que o Bloco tem propostas para construir na região um “grande centro internacional para o estudo do mar e das alterações climáticas”, sendo que, a partir daí, seria possível “desenvolver a médio e longo prazo uma economia avançada assente na ciência e na tecnologia”.

António Lima anunciou ainda perante algumas dezenas de aderentes a criação de um fórum de debate político nos Açores “que junte quem reflete e pensa à esquerda”. Esse fórum terá o nome de Zuraida Soares, antiga líder da estrutura bloquista que morreu em fevereiro deste ano.

As eleições regionais nos Açores decorrem em 25 de outubro, concorrendo o Bloco a todos os círculos eleitorais: nove de ilha e um pela compensação.

O PS governa os Açores há 24 anos, tendo sido antecedido pelo PSD, que liderou o executivo regional entre 1976 e 1996.

Vasco Cordeiro, líder do PS/Açores e presidente do Governo Regional desde as legislativas regionais de 2012, após a saída de Carlos César, que esteve 16 anos no poder, apresenta-se de novo a votos para tentar um terceiro e último mandato como chefe do executivo.