Durante o verão, Timo Werner foi dado como reforço certo do Liverpool no início da temporada que entretanto já arrancou. O avançado elogiou o clube inglês, chegou a estar à conversa com Jürgen Klopp através de vídeoconferência e tudo parecia mais do que encaminhado para ver o alemão vestido de vermelho. No final, Werner mudou de destino, assinou pelo Chelsea e aterrou em Londres.

Em entrevista ao The Athletic, o antigo avançado do RB Leipzig acabou por explicar o porquê de ter mudado de ideias e ter escolhido o Chelsea ao invés do Liverpool. “Noutro mundo, poderia ter acontecido. Se o Liverpool liga, tens de ouvir e pensar sobre o assunto. São uma das melhores equipas do mundo, com um super treinador — alemão, ainda por cima. Claro que tens de pensar sobre isso. Mas no final, a minha decisão foi o Chelsea. Mas por existir algo de errado com o Liverpool. Mas no Chelsea, todo o pacote encaixava melhor comigo”, disse Werner, acrescentando depois que a conversa que teve com Frank Lampard foi decisiva para o último passo.

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“Ele ligou-me e falámos sobre a ideia que ele tem do futebol e a ideia que ele tinha de como é que a equipa iria ser. Pareceu-me tudo bem, especialmente a forma como falou comigo. Não foi do género, ‘eu é que sou o treinador e eu quero-te a ti, vem, por favor!’. Foi muito relaxado, a perguntar-me como é que eu via as coisas, como é que eu me sentia a jogar num sítio ou noutro. Fui capaz de dar a minha opinião também. Ele ouviu. Em muitos aspetos, concordámos. Ele quer um jogo pressionante, levar o jogo até ao adversário, com transições rápidas mas ser bom na posse também. Ele disse: ‘Timo, vais ter liberdade para ter os movimentos certos no campo, eu confio em ti’. Foi uma conversa muito boa”, recordou o alemão.

Este domingo, os dois pretendentes de Timo Werner encontravam-se. O Liverpool deslocava-se a Stamford Bridge logo na segunda jornada da Premier League e depois de ambas as equipas terem vencido a partida inaugural: os reds bateram o recém-promovido Leeds, os blues ganharam ao Brighton. Lampard voltava a apostar no 4x3x3, sublinhando que será este o desenho prioritário para esta temporada, distinto da lógica dos três centrais com que o Chelsea terminou a época passada. Em relação ao onze da jornada inaugural da liga inglesa, só uma alteração — saía Loftus-Cheek, entrava Kovacic, enquanto que os reforços Kavertz e Werner mantinham a titularidade.

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Do lado dos campeões ingleses, Klopp também só fazia uma mudança em relação à equipa que bateu o Leeds, trocando Joe Gomez pelo adaptado Fabinho ao lado de Van Dijk no eixo da defesa. A principal novidade do Liverpool estava no banco, onde já se sentava Thiago Alcântara, o médio ex-Bayern Munique que foi confirmado como reforço dos reds esta semana. Diogo Jota, também ele oficializado nos últimos dias, ainda não fazia parte da convocatória de Klopp.

As duas equipas encontravam-se depois de uma troca de galhardetes entre os dois treinadores: Klopp criticou a política de despesas do Chelsea, Lampard lembrou que o Liverpool já fez o mesmo anteriormente. Dentro de campo, nos primeiros minutos, os reds tiveram uma clara superioridade e assumiram o controlo do jogo, algo que também era permitido pelo Chelsea — o meio-campo da equipa de Lampard, formado por Kanté, Kovacic e Jorginho, tinha a responsabilidade de uma contenção controlada e nunca avançava em conjunto, deslocando-se apenas um jogador de cada vez para não desequilibrar toda a equipa. O Liverpool, embora com mais bola, esbarrava então nessa pressão cautelosa dos blues e estava obrigado a recuar para chamar os adversários para depois procurar um passe mais vertical numa altura em que a equipa londrina já estivesse algo desmontada.

Por isto mesmo, o primeiro lance de perigo do jogo apareceu já à passagem do quarto de hora inicial e só graças a um erro de Kepa. O guarda-redes espanhol saiu em falso e Salah antecipou-se para cruzar para Firmino, que tinha a baliza deserta; Marcos Alonso, num boa acompanhamento do avançado brasileiro, parou o remate com o peito e evitou o golo do Liverpool (14′). Do outro lado, e nas poucas vezes em que tentava construir a partir de trás e pegar um pouco no jogo, o Chelsea via-se obrigado a lateralizar e avançar por fora, impedido de penetrar pela faixa central devido à pressão intensa do adversário.

A primeira aproximação do Chelsea à baliza de Alisson deu-se já depois da meia-hora, com um remate de Werner que passou ao lado (32′), e a verdade é que o Liverpool também continuava sem conseguir criar oportunidades de golo, mantendo-se algo afastado da grande área de Kepa apesar da enorme superioridade de posse de bola. Mesmo em cima do intervalo, porém, os blues sofreram um golpe que acabou por ser fulcral para o resto da história do jogo. Henderson soltou um passe longo em profundidade depois de um ataque do Chelsea, Mané dominou e correu em direção à baliza e foi travado por Christensen à entrada da área. O árbitro da partida começou por dar apenas cartão amarelo ao central mas foi chamado pelo VAR e depois de ver as imagens expulsou o dinamarquês, deixando a equipa de Lampard reduzida a dez elementos durante toda a segunda parte.

Christensen foi expulso mesmo à beira do intervalo depois de parar Mané quando o avançado seguia isolado para a baliza

Ao intervalo, Lampard optou por resguardar a defesa e compensar a saída de Christensen sacrificando a presença ofensiva, trocando Havertz por Tomori. Já Klopp tirou o capitão Henderson, que terá deixado o jogo com um problema físico, e lançou Thiago Alcântara, que se estreou como jogador do Liverpool. Os primeiros minutos do segundo tempo mostraram desde logo que os reds não iam ter grande complacência quanto à superioridade ofensiva e o Chelsea ressentiu-se do facto de estar reduzido a dez jogadores, abdicando por completo de atacar e desistindo praticamente da partida.

Foi Mané a inaugurar o marcador, logo aos cinco minutos da segunda parte. Numa autêntica masterclass de futebol, o avançado senegalês apareceu no centro da grande área a cabecear certeiro depois de uma combinação entre Arnold e Salah na direita (50′). Um lance perfeito do ataque do Liverpool, em que o Chelsea pouco ou nada poderia fazer — o que não aconteceu propriamente na jogada do segundo golo. Escassos quatro minutos depois, Kepa cometeu um erro tremendo e ofereceu a bola a Mané, que intercetou o passe do guarda-redes e encostou tranquilamente para a baliza deserta (54′). Em quatro minutos e a jogar contra menos um, o Liverpool tinha arrumado a partida.

Certo é que, e mesmo com os dois golos de Mané e a óbvia importância do avançado no resultado, era Thiago Alcântara quem ia impressionando. O médio espanhol assumiu por completo a batuta da movimentação ofensiva da equipa e era o equilíbrio de todo o jogo dos reds, com praticamente todos os lances a passarem pelos pés do recentemente campeão europeu pelo Bayern.

Até ao fim, Jorginho ainda falhou um penálti cometido por Thiago sobre Werner (75′) e já pouco ou nada aconteceu depois disso, com o Liverpool a controlar por completo. A equipa de Jürgen Klopp acabou por sair de Londres com os três pontos e com uma vitória que pareceu simples mas que foi desbloqueada pela expulsão de Christensen, que anulou o confronto tático que até então dificultava a ideia de jogo dos reds. Klopp, que criticou Lampard pelos milhões que gastou, saiu do encontro com o Chelsea com os bolsos cheios.