Nove dias ao comando dos Sub-23 da Juventus. Quando Andrea Pirlo foi o escolhido para suceder a Maurizio Sarri, na sequência da eliminação dos italianos na Liga dos Campeões às mãos do Lyon, o palmarés do antigo médio resumia-se a nove dias ao comando dos Sub-23 da Juventus. Este domingo, Pirlo realizava a estreia como treinador principal de uma equipa. Este domingo, a Juventus começava a caminhada até ao 10.º título consecutivo em Itália. Este domingo, começava a era de Pirlo em Turim.

E o antigo internacional italiano surpreendia logo no primeiro onze. Na Allianz Arena, contra a Sampdoria e sem Alex Sandro nem Dybala, ambos ainda a recuperar de uma lesão, Pirlo lançava o jovem Frabotta na esquerda. O lateral esquerdo de 21 anos, formado no Bolonha, chegou aos Sub-23 da Juventus em 2019, estreou-se na equipa principal ainda com Sarri e era este domingo aposta de Pirlo enquanto titular. No meio-campo, também o reforço Weston McKennie jogava de início — norte-americano de 22 anos emprestado pelo Schalke 04 –, enquanto que Kulusevski era titular no ataque, perto de Cristiano Ronaldo. E o avançado sueco, que antes do apito inicial mostrou o prémio de melhor jovem da época passada na Serie A, quando esteve no Parma já emprestado pelos bianconeri, já tinha explicado antes do jogo o quão era importante jogar perto de Ronaldo.

“O Cristiano é fantástico, sou um sortudo por poder aprender com ele. É muito simpático, fala com toda a gente, mesmo sobre temas que não têm a ver com futebol. Quando me diz algo, é como gasolina para mim. Ajuda-me a ser melhor naquilo que faço. Sou muito, muito sortudo por poder jogar com ele. Espero ajudá-lo”, disse o avançado de 20 anos na antevisão da receção à Sampdoria de Claudio Ranieri, que entrava em campo sem o goleador Quagliarella no onze inicial.

No jogo em si, foram necessários alguns minutos para perceber como é que a equipa de Pirlo se ia apresentar. Sem bola, a Juventus desenhava um 4x4x2 perfeito, com Frabotta na esquerda da defesa, Danilo do outro lado e o quarteto Ramsey, Rabiot, McKennie e Cuadrado no meio-campo, sendo que o primeiro era normalmente o primeiro elemento da pressão do setor intermédio ao adversário. Mais à frente, Ronaldo era o último homem da equipa, com Kulusevski mais móvel e a aproximar-se mais dos restantes setores. A atacar, o modelo alterava-se ligeiramente. Frabotta assumia toda o corredor esquerdo, Danilo, Chiellini e Bonucci formavam a tripla de centrais e Ramsey era uma espécie de ’10’ nas costas dos dois elementos mais adiantados.

O primeiro lance de perigo no jogo apareceu por intermédio de Danilo, com um remate de muito longe que passou por cima da baliza de Audero (6′). Cristiano Ronaldo apareceu pela primeira vez pouco depois, com um remate de pé esquerdo que o guarda-redes da Sampdoria defendeu (11′) na sequência de um passe de Ramsey — e o galês ia mesmo sendo o melhor em campo. Muito intenso no meio-campo e com uma visão de jogo acima da média, sempre a procurar a profundidade do jogador português, era por Ramsey que passavam todas as ideias da Juventus. O primeiro golo da partida acabou por aparecer ainda antes de estar cumprido o quarto de hora inicial, de forma algo natural e por intermédio de Kulusevski. Ronaldo foi desarmado já no interior da grande área e a bola sobrou para o sueco, que de primeira e de pé esquerdo atirou cruzado para bater Audero, estreando-se a marcar de forma oficial pelos bianconeri (13′).

Juventus v UC Sampdoria - Serie A

O antigo médio italiano estreou-se este domingo como treinador principal de uma equipa de futebol

Cristiano Ronaldo teve outras duas oportunidades para marcar antes do intervalo — rematou à barra (24′) e atirou rasteiro ao lado (24′), ambas a passe de Ramsey — mas a Juventus já não voltou a alterar o resultado até ao fim da primeira parte. Depois de perder a posse de bola e algum controlo depois de ficar em vantagem, até porque a Sampdoria subiu as linhas e procurou desde logo chegar mais perto da baliza de Szczęsny, a equipa de Pirlo recuperou a batuta da partida nos instantes finais do primeiro tempo e acabou por adormecer um pouco o ritmo do jogo.

A segunda parte começou com uma tripla alteração na Sampdoria — entraram Quagliarella, Ramírez e Tonelli — e foi mesmo a equipa de Ranieri a ter os primeiros lances de perigo, com um desvio de Bonazzoli por cima (52′) e um remate ao lado de Ramírez depois de um bom trabalho à entrada da grande área (52′). Do outro lado, Pirlo só mexeu quando faltavam 25 minutos para o apito inicial, ao trocar um já amarelado Frabotta por De Sciglio. O ritmo da partida estava parecido com o dos derradeiros instantes da primeira parte e era isso mesmo que a Juventus pretendia. Contudo, pairava a impressão de que a equipa de Pirlo estava a adormecer progressivamente, tanto na frente de ataque como no setor intermédio, o que abria a porta à possibilidade de uma surpresa da Sampdoria.

Ranieri, com toda a certeza, sentia exatamente o mesmo e em parcos minutos lançou outros dois jogadores para dentro de campo, Verre e Damsgaard. O relógio avançava, a Juventus parecia satisfeita com o resultado mas existia pelo menos um homem vestido de branco e preto que queria muito mais. Cristiano Ronaldo, que desperdiçou três oportunidades na primeira parte e outras tantas na segunda, olhava para os céus e pedia, de dedo em riste, “uma”. O jogador português só queria que uma bola acabasse por entrar para se estrear a marcar pela Juventus esta temporada.

Até ao fim, Bonucci acabou por marcar na sequência de um canto (78′), aumentando a vantagem, e Ronaldo conseguiu chegar mesmo ao primeiro golo da época em Itália (88′), com um remate cruzado muito forte que não deu hipótese a Audero. A era de Pirlo na Juventus começou com a primeira vitória da temporada e com os primeiros três pontos na Serie A — rumo ao histórico 10.º Scudetto seguido dos bianconeri.