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Portugal FC, Wolverhampton Wanderers Portugal Football Club, Portugal em Inglaterra. Foram muitos os comentários dos adeptos do Wolves ao terceiro equipamento do clube, divulgado na semana passada, que tem as cores da bandeira portuguesa. O vermelho e o verde da camisola e dos calções são uma clara recordação dos vários jogadores portugueses que fazem parte do plantel, aos quais se junta o treinador Nuno Espírito Santo, e tornaram ainda mais evidente a preponderância dos elementos nacionais no clube inglês.

Certo é que, apesar das brincadeiras, o trabalho do técnico português nos últimos três anos é reconhecido pelos adeptos do Wolves e mereceu até um mural numa parede da cidade, em jeito de homenagem. Isto numa semana em que a comitiva portuguesa, porém, sofreu alterações: Diogo Jota saiu e rumou ao Liverpool, Nélson Semedo deve deixar o Barcelona e aterrar em Inglaterra. O clube renova-se, atualiza-se, vende e contrata mas a predileção pelos portugueses mantém-se.

Depois da vitória na primeira jornada da Premier League contra o Sheffield, o Wolves foi eliminado surpreendentemente na Taça da Liga pelo Stoke City. Esta segunda-feira, recebia o Manchester City de Guardiola, que realizava a estreia na liga inglesa depois da campanha prolongada na Liga dos Campeões. Rui Patrício, João Moutinho, Rúben Neves, Pedro Neto e Podence eram todos titulares, enquanto que Bernardo Silva e João Cancelo, ambos com problemas musculares, não estavam sequer na convocatória dos citizens.

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O Manchester City dominou durante toda a primeira parte mas teve dificuldades em criar oportunidades de golo. Do outro lado, a equipa de Nuno Espírito Santo mantinha-se recuada e expectante, ciente de que estava a defrontar um dos conjuntos mais poderosos do futebol inglês, e ressentia-se principalmente do facto de Adama Traoré estar a jogar muito atrás no relvado. O jogador espanhol era o responsável pelo corredor direito, enquanto que Podence e Jiménez formavam a dupla de ataque, e permanecia demasiado encostado à ala para conseguir ter poder de explosão para desequilibrar. Os momentos que fizeram a diferença no resultado antes do intervalo, porém, só apareceram à passagem dos primeiros 20 minutos.

Saiss cometeu grande penalidade sobre De Bruyne e o médio belga assumiu pessoalmente a conversão do penálti, inaugurando o marcador (20′). Já depois da meia-hora, e de forma muito natural, Phil Foden aumentou a vantagem ao converter um lance de contra-ataque com assistência final de Sterling e intervenção de De Bruyne (32′). Antes do intervalo, o médio belga ainda teve tudo para bisar, ao aparecer na cara de Rui Patrício, mas o guarda-redes português evitou o terceiro golo dos citizens com uma grande defesa (43′).

Na segunda parte, Gabriel Jesus beneficiou da primeira grande oportunidade, ao obrigar Rui Patrício a outra grande defesa (52′), e Podence respondeu do outro lado com um remate que passou muito perto depois de um enorme trabalho de Traoré (54′). O Manchester City continuava dominante, com mais bola e o controlo do meio-campo, mas não estava a ser asfixiante e o Wolves deixava a ideia de que numa arrancada de Traoré ou num acesso de inspiração de Podence ou Jiménez podia facilmente relançar a partida.

Rúben Neves rematou fraco em posição frontal para a baliza, Podence voltou a desperdiçar na cara de Ederson, Jiménez atirou ao lado e era essa a diferença entre as duas equipas: o City teve duas oportunidades e fez dois golos, o Wolves teve quatro e continuava em branco. Com o avançar do relógio, a equipa de Nuno Espírito Santo assumiu a dianteira da partida e empurrou a de Guardiola para trás, principalmente graças a um maior entrosamento de Traoré com o movimento ofensivo e a subida no terreno de Pedro Neto, mas não estava a conseguir concretizar e reduzir a desvantagem. Fábio Silva entrou e estreou-se na Premier League, a um quarto de hora do apito final, e o golo do Wolves apareceu instantes depois: Podence tirou De Bruyne da frente com um pormenor extraordinário e cruzou para Jiménez, que cabeceou para bater Ederson (78′).

Apesar da esperança renovada que o golo do avançado mexicano deu ao Wolves e da admirável segunda parte da equipa de Nuno Espírito Santo, Gabriel Jesus ainda aumentou a vantagem dos citizens (90+5′) e o Manchester City conquistou os primeiros três pontos da temporada. Podence, que parece ter agarrado de vez o lugar no onze inicial depois da saída de Diogo Jota, está a aproveitar a aposta do treinador português e foi o elemento mais perigoso do ataque do Wolves: chegou a ver luz ao fundo do túnel que fez a De Bruyne mas a equipa continuou às escuras.