O Reino Unido está num “ponto crítico” da pandemia de Covid-19 e a caminhar na “direção errada”, de acordo com o diretor geral de Saúde de Inglaterra, Chris Whitty.

“A tendência no Reino Unido está a ir na direção errada e estamos num ponto crítico da pandemia. Estamos a analisar os dados para ver como controlar a disseminação do vírus antes de um período de inverno muito complicado”, diz Whitty, de acordo com excertos divulgados antecipadamente de uma declaração pública especial que fará esta segunda-feira sobre a situação.

No domingo, o Reino Unido anunciou ter registado mais 3.899 novas infeções e 18 mortes de Covid-19 nas 24 horas anteriores, isto depois de no sábado ter contabilizado 4.422 novos casos, o número mais alto desde maio.

Whitty e o assessor científico do governo britânico, Patrick Vallance, vão fazer um ponto de situação para a televisão esta manhã sem a presença do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, ou de qualquer membro do governo, apesar de a imprensa britânica especular sobre uma possível intervenção de Johnson na terça-feira.

Além de ter proibido ajuntamentos de mais de seis pessoas e imposto restrições adicionais em regiões do norte e centro de Inglaterra devido a surtos localizados, no domingo o governo britânico anunciou novas sanções para quem não respeitar as regras.

As pessoas que testem positivo ou apresentem sintomas de coronavírus devem auto-isolar-se durante 14 dias, senão podem ser penalizadas com multas de entre mil libras (1.090 euros) e dez mil libras (11 mil euros), no caso de reincidência.

Para encorajar o cumprimento das regras, as pessoas com rendimentos baixos poderão receber uma ajuda de 500 libras (545 euros), caso não tenham a possibilidade de recorrerem ao teletrabalho no período de quarentena.

O Reino Unido é o país com o maior número de mortos na Europa e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México. Desde o início da pandemia Covid-19 no Reino Unido contabilizou 41.777 óbitos e 394.257 de casos de contágio confirmados.