O Auditório de Espinho anunciou esta segunda-feira a sua programação até dezembro, reagendando concertos, inicialmente cancelados devido à covid-19, que regressam em sinal de “resiliência”, com artistas como Três Tristes Tigres, Ricardo Toscano, Frankie Chavez e Joep Bevin.

No total, são 11 as propostas que irão passar pela sala de espetáculos gerida pela Academia e Escola Profissional de Música dessa cidade do distrito de Aveiro, de acordo com um cartaz que, também excecionalmente devido à pandemia, irá intercalar-se com os concertos já anunciados para a edição de 2020 do FIME – Festival Internacional de Música de Espinho.

A Academia chamará ainda ao palco Chano Dominguez e Hamilton de Holanda, as orquestras locais de clássica e de jazz, e o projeto comum a Frankie Chavez e Peixe, complementando depois essa oferta musical com teatro e artes plásticas, através da companhia do marionetista russo Viktor Antonov, no âmbito do festival local “Mar Marionetas”, e da exposição coletiva com o terceiro ciclo de ilustrações dedicada ao 30.º aniversário da Escola Profissional de Música de Espinho.

“Neste momento de enorme incerteza, é imperativo dar este sinal de força e voltar a programar, ainda que, no essencial, quase tenhamos apenas reagendado espetáculos anteriormente cancelados”, declarou à Lusa o programador do auditório, André Gomes.

Esse responsável defende, contudo, que “estes tempos excecionais” afirmaram ainda mais o valor da cultura e da arte, nas suas múltiplas formas: “São fulcrais para ultrapassarmos o isolamento e sentirmos que fazemos parte de algo maior, portanto agora está na altura de darmos mais um passo em frente”.

Especificamente quanto a concertos, o último trimestre do Auditório abrange diferentes géneros, começando pela pop dos Três Tristes Tigres, nas “fronteiras do cruzamento com a dança, o teatro e a literatura”.

Descrevendo Ana Deus e Alexandre Soares como “autores de alguma da mais intemporal música portuguesa”, André Gomes anuncia para a sala de Espinho, a 9 de outubro, a “estreia absoluta do seu novo disco de originais”.

No dia 16 segue-se “a primeira colaboração entre o espanhol Chano Dominguez e o brasileiro Hamilton de Holanda”, que, enquanto “ícones da improvisação” no piano e no bandolim, irão materializar “uma fusão de jazz vibrante através de tradições do flamenco e da música brasileira”.

Os dois artistas acumulam entre si “dois Grammys latinos e 16 nomeações” e, após parcerias com músicos como Wynton Marsalis, Herbie Hancock, Chick Corea e Dave Matthews, em Espinho, prestarão tributo a Paco de Lucia e Baden Powell.

Folk e indie estarão em destaque a 24 de outubro, com o projeto “Miramar”, de Frankie Chavez e Peixe, cujas diferenças ao nível de estilo se esbatem num trabalho comum com a guitarra. Lançaram o primeiro álbum conjunto em 2019 e, além de “considerado dos melhores discos nacionais”, esse trabalho foi ainda “nomeado pela crítica da especialidade como melhor LP independente europeu do ano”.

Em estreia nacional, a 6 de novembro, chegará o artista espanhol Rodrigo Cuevas, que, de forma “singular e moderna”, combina flamenco e demais folclores espanhóis com eletrónica e outros elementos contemporâneos. Do seu espetáculo deve esperar-se “humor, erotismo elegante, hedonismo e celebração de direitos inegociáveis”.

O cartaz do Auditório recomenda depois música erudita, pela Orquestra Clássica de Espinho, com direção de Pedro Neves e o violinista Pedro Meireles, como solista. A 13 de novembro o repertório vai incidir em Dvorák e Schumman, enquanto expoentes do romantismo centro-europeu, mas o mesmo coletivo regressa a 19 de dezembro, com música de filmes comentada pelo crítico de cinema Mário Augusto.

Pelo Auditório passará ainda o holandês Joep Beving, sobre o qual André Gomes afirma: “O facto de ser um dos pianistas vivos mais escutados no mundo atualmente diz muito do alcance da sua particular visão musical, cuja vertente melancólica se traduz em melodias de profunda capacidade de envolvimento”.

A 14 de novembro trará a Espinho temas do álbum “Henosis”, editado “pela mundialmente famosa Deutsche Grammophon, vencedor de um prémio Edison”.

A programação da Academia prevê ainda, a 4 de dezembro, um concerto pelo quarteto do saxofonista Ricardo Toscano, que, “jovem, mas já consagrado”, dedicará toda essa ‘performance’ a John Coltrane, e, no dia 11, um espetáculo pela Orquestra de Jazz de Espinho, com a qual o pianista galego Abe Rábade interpretará composições de sua autoria, imprimindo-lhes algum “desenvolvimento ‘improvisacional'”.

Todas essas iniciativas vão seguir as restrições impostas pela Direção-Geral da Saúde. No caso dos espetáculos, a reserva prévia de bilhetes obrigará ao seu pagamento no prazo máximo de 48 horas, presencialmente ou por transferência bancária.